Meta de 15% de áreas marinhas protegidas é “demasiado ambiciosa”
11 de out. de 2019, 11:53
— Carolina Moreira
O presidente da Federação das Pescas dos Açores,
Gualberto Rita, considerou ontem na Horta que a meta de 15% de áreas
marinhas protegidas definida pelo Governo Regional é “demasiado
ambiciosa” e que é necessário ter em conta a sustentabilidade
socioeconómica do setor, relembrando que existem muitos agregados
familiares envolvidos na matéria.“Achamos que é uma área demasiado
vasta para a nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE), porque temos muito
mar, mas a plataforma continental de pesca nos Açores é bastante
reduzida e isso tem de ser tido em conta”, disse em declarações ao
Açoriano Oriental.Gualberto Rita que marcou presença na conferência
internacional sobre “Governança dos Oceanos em Regiões Arquipelágicas”
frisou, no entanto, que o setor das pescas “não quer fugir àquilo que é a
responsabilidade e a preocupação da sustentabilidade dos recursos”. “A
questão é que a percepção que nós temos é que estão a focar demais nos
Açores, esquecendo um pouco a ZEE da Madeira e a do Continente, e isso
não pode acontecer”, salientou o representante dos pescadores.“Até
porque, ao longo dos últimos anos, tem sido feito um esforço muito
grande da parte do setor, desde os aumentos dos tamanhos mínimos, a
implementação da redução de áreas de pesca ou a gestão das quotas, ou
seja, há imensas medidas que já foram implementadas que foram
penalizadoras para o setor e foram aceites com muito esforço porque
visava a sustentabilidade dos recursos”, realçou Gualberto Rita.Para
a Federação das Pescas, os Açores, em “comparação com outras regiões da
Europa”, estão “muito bem no que toca à sustentabilidade”, por isso
“estranha” que essas medidas sejam aplicadas no arquipélago.“Nós não
estamos contra os 15%, estamos contra os 15% nos Açores”, afirmou
Gualberto Rita, assegurando, contudo, que vão “respeitar” a meta, mas
“tudo vai depender de onde forem implementadas essas áreas marinhas
protegidas”, referindo-se à zona costeira, a mais utilizada pelos
pescadores no exercício da atividade. Sobre o impacto que o turismo
tem no mar dos Açores e o facto de as actividades marítimo-turísticas
gerarem mais emprego que a pesca a nível nacional, sendo que a Região
não é excepção, o representante dos pescadores afirmou que “já estávamos
aqui muito antes de existir turismo nos Açores”. Defende que “há que
haver respeito por todos os setores - representamos ainda 20% das
exportações, portanto não se pode, de um momento para o outro, vir olhar
só para os números do turismo”.Gualberto Rita vai mais longe e
frisa que, “ultimamente, sentimos que há forças grandes na Região que
têm tentado arrumar a pesca, por isso temos de ter muito cuidado e
estamos aqui para reivindicar a todo o custo se for preciso”.