Merkel, primeira mulher chanceler na Alemanha assinala domingo 15 anos no poder
20 de nov. de 2020, 11:08
— Lusa/AO Online
Quando chegou ao
Bundestag, o Parlamento alemão, em 1990, poucos adivinhariam que, oito
anos depois, Angela Merkel seria secretária-geral da União
Democrata-Cristã (CDU) e, em 2005, eleita chanceler da Alemanha.Em
declarações à agência lusa, Alemann garantiu que Merkel é “muito
diferente” dos seus predecessores na Alemanha, Gerhard Schröder e Helmut
Kohl.“Sem machismo, sem a atitude ‘sou o
maior’, sem exibicionismo, mas sim pragmatismo, inspirando confiança,
com os pés assentes no chão (…) Macron, Johnson, Conti, Suarez ou Trump,
Bolsonaro, Erdogan e Putin, ela está à frente de todos esses
concorrentes em reputação e competência”, salientou.Para
Benjamin Höhne, vice-diretor do Instituto de Pesquisa Parlamentar
(IParl) “foi, e é muito importante para a Alemanha, ter uma chanceler
mulher, que cresceu no leste do país”.“Essa
combinação de aspetos não era esperada, e a verdade é que inicialmente
poucos acreditavam que ela viria a ser chanceler. Foi até tida como uma
solução temporária, mas vemos agora que se manteve no poder 15 anos. É
extraordinário olhar para trás e perceber que teve um ótimo percurso
como chanceler, e que se tornou numa grande líder e estadista”, realçou.Os
dois analistas políticos, ouvidos pela Lusa, consideram 2015, marcado
pela entrada de mais de um milhão de refugiados na Alemanha, um dos anos
mais marcantes da governação de Merkel.“Na
crise dos refugiados, ela manifestou empatia e compaixão. Houve uma
disputa difícil na Alemanha sobre esse assunto, mas hoje a maioria
concorda que ela fez um bom trabalho”, considerou Ulrich von Alemann.“Merkel
foi criticada por ser relutante e ter explorado politicamente a
situação”, apontou Höhne, “mas foi o não ter sido tradicional, não
criando barreiras aos refugiados, que demonstrou que as suas decisões
foram equilibradas”, acrescentou.“Ela
lutou por algo que acreditava ser bom para a Alemanha, para a Europa,
mas principalmente para os refugiados, e demonstrou enormes qualidades
de liderança e uma capacidade anormal de tomar decisões difíceis”,
afirmou.Apesar disso, a crise dos
refugiados, em 2015, e a crise financeira, em 2008, conduziram também a
um dos momentos vistos como mais negativos nos últimos 15 anos.“Foram
os dois momentos que trouxeram os maiores problemas à Chancelaria, e
que ajudaram a estabelecer o partido de extrema-direita AfD (Alternativa
para a Alemanha), que passou a ter assento no Bundestag desde as
eleições de 2017”, referiu Alemann.A
ausência de uma sucessão e de uma “transição suave” na liderança da CDU é
apontada pelos dois politólogos como outro aspeto menos positivo.“Existe
uma batalha interna pela liderança, mas nenhum dos candidatos foi, até
agora, apoiado por Merkel. Ela recomendou a atual presidente da CDU,
Annegret Kramp-Karrenbauer, que não se conseguiu aguentar no cargo”,
comentou Ulrich von Alemann, acrescentando que “a sua solução ideal não
acontecerá”.“É esperado, com elevado grau
de probabilidade, que Angela Merkel complete o seu mandato como
chanceler, o que significa ter uma liderança forte até às próximas
eleições gerais, no outono do próximo ano. Temos candidatos anunciados,
mas nenhum outro político defende estabilidade, previsibilidade e
confiabilidade como Merkel”, sustentou Benjamin Höhne.A
gestão da atual crise provocada pela pandemia de covid-19 é também
vista de forma positiva pelos analistas, destacando a rapidez e
flexibilidade de Merkel a tomar decisões, mesmo sendo difícil conseguir o
acordo de todos os dezasseis estados federados.