Merkel cita estimativas indicando que até 70% dos alemães poderão ser infetados
Covid-19
11 de mar. de 2020, 13:07
— Lusa/AO Online
“É
preciso entender que, se o vírus existe, a população ainda não tem
imunidade a esse vírus e não há vacinas e nem terapia até agora, uma
alta percentagem - dizem os especialistas entre 60 a 70% - da população
será infetada", disse Angela Merkel numa conferência de imprensa em
Berlim.As autoridades alemãs confirmaram três mortes e 1.622 infeções pelo novo coronavírus (Covid-19). O Governo recomendou o cancelamento de todos os eventos com mais de 1.000 pessoas, entre outras medidas.A chefe do Governo alemão disse que a prioridade é retardar a propagação da doença.“Então,
todas as medidas que estamos a tomar são da maior importância porque
estão a dar-nos tempo. Importa o que estamos a fazer, não é em vão”,
declarou.Angela Merkel mostrou também hoje
a sua disposição de flexibilizar o respeito ao princípio do "défice
público zero", a fim de enfrentar a "situação extraordinária" da
epidemia do novo coronavírus, para não saturar o sistema de saúde e
manter na medida do possível a atividade económica."É
uma situação extraordinária, faremos o que for necessário (…) faremos
para poder sair dessa situação e, posteriormente, veremos o que isso
significou para o nosso orçamento" , assegurou o chanceler em uma
conferência de imprensa.“Uma economia como
a da Alemanha, que é altamente dependente das exportações, é obviamente
ainda mais afetada pelos desafios globais do que uma economia centrada
nela mesma", disse a chanceler.O Governo
alemão deve, portanto, apresentar na sexta-feira as medidas para
revitalizar a economia, por exemplo, em hotéis e restaurantes, ou
preparar especificamente empréstimos públicos a empresas que enfrentam
dificuldades de fluxo de caixa.Merkel
também confirmou que a União Europeia defende uma abordagem "flexível"
ao Pacto de Estabilidade Europeu, que em princípio limita o défice
público dos vários países membros a 3% ao ano.