Meo condenada por colocar trabalhadores numa sala sem fazer nada
12 de mar. de 2019, 13:24
— Lusa/AO Online
A Altice Portugal, dona da
Meo, já informou que não vai recorrer desta decisão, adiantando que não
comenta processos ou decisões judiciais num total respeito por essas
mesmas decisões.Numa primeira fase, a
empresa foi multada pela Autoridade para as Condições do Trabalho em
45.900 euros pela prática de quatro contraordenações muito graves.A
Meo impugnou judicialmente aquela decisão junto do Tribunal de Oliveira
de Azeméis, no distrito de Aveiro, que alterou a coima única, fixando-a
em 30.600 euros.Inconformada com a
decisão, a empresa voltou a recorrer, desta vez para o TRP, que julgou
improcedente o recurso, confirmando a decisão da primeira instância.A
recorrente defende que agiu de acordo com a boa-fé, pois atuou na sua
legítima liberdade de iniciativa económica ao reestruturar a empresa, no
âmbito de um processo iniciado em 2015, após ter sido adquirida por um
novo acionista.No entanto, o tribunal
entendeu que a empresa “agiu sempre deliberadamente”, porque selecionou
trabalhadores que considerou “dispensáveis” e propôs-lhes a revogação do
contrato de trabalho mediante o pagamento de uma compensação.Tendo
estes recusado, transferiu-os das suas unidades para uma Unidade de
Suporte onde os mantém, sob a sua direção e fiscalização, sem lhes
atribuir qualquer função.Como os
trabalhadores recebem a mesma retribuição sem prestarem qualquer
trabalho, os juízes concluíram que “a única intenção da recorrente é que
os trabalhadores acabem por aceitar a saída da empresa”, pois na
realidade “esta é a única forma que pode permitir a recorrente alcançar o
seu objetivo de redução de custos”.“Conclui-se,
pois, que no rigor das coisas, os factos revelam uma situação de
deliberada marginalização destes trabalhadores, colocados como
excedentários numa sala, em total inatividade e sem qualquer perspetiva
real de serem recolocados em novo posto de trabalho”, lê-se no acórdão.