Mendes nega ser candidato do Governo e critica propostas liberais de Cotrim
Presidenciais
9 de jan. de 2026, 12:03
— Lusa/AO Online
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava num jantar-comício em Torres Novas (distrito de Santarém), que contou com uma intervenção da presidente da sua comissão de honra Leonor Beleza, que é também a primeira vice-presidente dos sociais-democratas, e dos deputados Isaura Morais, Paulo Morais e Ricardo Oliveira.Marques Mendes insistiu no tema que tem marcado todos os seus discursos – a defesa da estabilidade –, criticando o título de uma notícia do Expresso relativa ao dia de campanha de quarta-feira: “O dia mau em que Marques Mendes se assumiu como o candidato do Governo”.“Eu respeito os títulos de todos os jornais e as notícias de todos os jornais. Portanto, com todo o respeito por todos os critérios editoriais, devo dizer que isso é um erro monumental. Não, eu não sou o candidato do Governo, eu sou o candidato do país”, afirmou, defendendo que querer que o Governo eleito cumpra o seu mandato “é cumprir a Constituição”.Por outro lado, citou os mais recentes dados económicos quanto ao crescimento e a um novo excedente orçamental para considerar que seria “um crime de lesa pátria” gerar instabilidade, como acusou os seus adversários a Belém de pretenderem.“Com estes dados vamos pôr em causa a estabilidade? Nem pensar. Isto não tem nada a ver com ser do Governo, é ser amigo de Portugal e dos portugueses”, disse.O candidato apoiado por PSD e CDS-PP criticou, em particular, o seu adversário João Cotrim Figueiredo, embora ser o nomear.“Num país como o nosso, um Presidente da República tem de estar profundamente empenhado na justiça social, não pode ser um Presidente como o candidato da IL. Não é uma crítica, é uma constatação”, disse.Mendes referiu-se, em concreto, a duas medidas defendidas por Cotrim de Figueiredo e pela IL: a privatização da Caixa Geral de Depósitos – que considerou “uma loucura em momento de crise” – ou uma taxa única de IRS.“Uma taxa de IRS igual para pobres, ricos e remediados: isto não é justiça social, mas uma verdadeira indignidade”, criticou, acrescentando que faria abrir “um buraco enorme” nas contas públicas e diminuir as verbas para a saúde, educação e pensões.Mendes saudou a notícia de que o Presidente da República já promulgou o diploma do Governo que visa a criação de urgências de obstetrícia regionais, lembrando que tinha apelado no passado sábado a que Belém e São Bento convergissem rapidamente neste tema.“O assunto está resolvido, parabéns ao Presidente da República e ao Governo. É um pequeno sinal, mas é exatamente o que quero como Presidente da República: tentar a união e convergência”, disse.Discursando rodeado de jovens no palco, Mendes fez uma referência implícita às sondagens que o colocam fora de uma provável segunda volta das presidenciais, contrapondo que só tem sentido “entusiasmo e mobilização” na rua.“Se alguns pensavam que nos desanimavam, enganem-se - e já se enganaram - nós estamos aqui para vencer e para servir Portugal”, afirmou.No jantar foi apresentado o mandatário da Inovação e Inteligência Artificial, Bernardo Caldas, que lidera as equipas de dados e inteligência artificial na Mollie, “uma das maiores empresas de tecnologia financeira europeias”, segundo nota biográfica divulgada pela campanha.“Vemos falhas e erros na saúde, justiça e educação, não é por falta de investimento em recursos humanos. É que não há forma de ser muito bom nestas áreas sem o Estado ser muito bom a fazer tecnologia”, defendeu o jovem natural de Torres Novas, formado em engenharia pelo Instituto Superior Técnico e com mestrado pelo Imperial College London.