Membros da direção do PAN apresentam demissão em desacordo com liderança de Sousa Real
22 de mai. de 2025, 17:55
— Lusa/AO Online
Os dois
membros em causa são Anabela Castro e Nuno Pires, eleitos para a
Comissão Política Nacional do PAN - órgão máximo de direção entre
congressos - pela lista A, afeta à líder Inês de Sousa Real, e
transmitiram a decisão através de um comunicado enviado no dia 18 de
maio, pouco antes do fecho das urnas das eleições legislativas.No
comunicado, a que a Lusa teve acesso, Anabela Castro e Nuno Pires
justificam a sua saída com o “desacordo com o rumo atual da gestão
interna do partido”, alegando que o PAN deixou de ser “o espaço ético,
respeitador coerente e plural que o diferenciava no panorama político
nacional”.“A direção atual (ou parte
dela), revela uma visão demasiado autocentrada e autocrática, de quem
não se responsabiliza pelos resultados, saídas e descontentamentos que o
partido tem sistematicamente sofrido, optando em vez disso por criarem
narrativas de traição e de abandono, com ataques a qualquer posição ou
crítica divergente do atual ‘status quo’”, lê-se.Anabela
Castro e Nuno Pires acusam a direção de silenciar as divergências e
atacar os críticos, lamentando que as reuniões da comissão política
sejam um “pró-forma para cumprir calendário, onde a estratégia se centra
em jogos de poder, mais do que nas causas”.“O
centralismo das decisões e a crescente marginalização de vozes críticas
refletem uma deriva que consideramos grave e que mina a confiança de
quem, como nós, acreditou que era possível fazer política de forma
diferente. A nossa presença e participação nesta Comissão tornou-se,
assim, insustentável”, acrescentam.A nível
interno, os dois membros apontam situações “inaceitáveis” de limitação
do debate interno, destacando o curto de espaço de tempo - 12 horas -
entre a aprovação do programa eleitoral de 2025 e a sua divulgação
pública, “sem qualquer possibilidade real de análise e contributos como
sempre se fez até então”.Anabela Castro e
Nuno Pires opõem-se também ao que dizem ser uma “obsessiva promoção e
proteção da porta-voz” de Hugo Alexandre Trindade, líder da distrital do
PAN no Porto, a quem é apontado um comportamento “intencionalmente
incorreto com outros membros do partido, sem que tenha qualquer
legitimidade ou posição que o justifique”.Ao
líder da distrital do Porto, são criticadas “observações/proferidas” a
um elemento do partido de Santarém e a “mentira e omissão de reposição
de verdade num ‘chat’ da distrital do Porto” onde terá denegrido a
imagem do deputado municipal de Matosinhos, Albano Lemos Pires.Os
dois membros criticam uma individualização das decisões por parte Inês
de Sousa Real e Hugo Alexandre Trindade em “matéria que são da
responsabilidade da CPP ou da CPN” como “contratações, definições de
eventos ou tomadas de posição coletivas, sobrepondo-se aos órgãos e
colocando em causa os princípios basilares do projeto político”.No
mesmo documento, Anabela Castro e Nuno Pires dizem que a direção evita a
“auto-análise a auto-consciência crítica”, com a defesa da causa dos
partidos a serem feitas “em função da ‘espuma dos dias’, de ilusões ou
‘graçolas de marketing”, de forma infantilizada e que, acrescentam,
banaliza “a verdadeira natureza dos problemas”.Contactada
pela Lusa, a direção do PAN confirma a saída dos dois membros da
comissão política nacional, a quem agradece o trabalho desenvolvido, e
refere que “a renovação de membros é natural e parte integrante da vida
democrática do partido. O partido convocou para este sábado uma reunião
para abordar os resultados eleitorais e “dar continuidade ao processo de
auscultação interna promovido por esta mesma direção”, lê-se na
resposta.Anabela Castro e Nuno Pires, contactados pela Lusa, recusaram prestar quaisquer esclarecimentos.