Meloni insiste que acordo com Albânia vai avançar apesar de tentativas de bloqueio
Migrações
13 de nov. de 2025, 16:51
— Lusa/AO Online
Meloni
falava numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo
albanês, Edi Rama, no final da primeira cimeira intergovernamental de
sempre entre os governos de Itália e Albânia, celebrada em Roma, e na
qual foram assinados vários acordos bilaterais para reforçar a
cooperação económica entre os dois países nos domínios das
infraestruturas, defesa e segurança, migração, energia, ambiente, saúde,
inovação e formação.Esta cimeira teve
lugar sensivelmente dois anos depois da assinatura do controverso acordo
para a criação de centros de migrantes em território albanês geridos
pelas autoridades italianas, que, embora inaugurados há cerca de um ano -
em outubro de 2024 -, permanecem praticamente vazios, face a várias
decisões judiciais contrárias ao envio de migrantes irregulares de
Itália para a Albânia.As deliberações dos
tribunais forçaram o Governo de Meloni a transformar os centros de
deportação em estruturas de repatriamento de requerentes de asilo já com
ordem de expulsão de Itália.Contudo,
Meloni, que lidera um governo de direita e extrema-direita que tem como
uma das suas principais bandeiras o combate à imigração ilegal, voltou a defender o protocolo de externalização da gestão dos fluxos
migratórios, considerando que o mesmo “tem o potencial de mudar o
paradigma da gestão da imigração”, e asseverou que os dois centros irão
funcionar a partir do momento em que o novo Pacto da União Europeia (UE)
sobre Migração e Asilo entrar em vigor, o que está previsto para junho
do próximo ano.“Quando o pacto sobre
migração e asilo entrar em vigor, os centros na Albânia funcionarão como
deveriam desde o início. Teremos desperdiçado dois anos para acabar
exatamente como estávamos no início. Não é minha responsabilidade. Dois
anos depois, estaremos a fazer exatamente o que poderíamos ter feito
dois anos antes. Acho que todos assumirão as suas próprias
responsabilidades”, disse. Segundo Meloni,
“nem todos compreenderam a validade deste modelo” e “muitos estão a
trabalhar para o retardar ou bloquear”, mas, garantiu, não terão
sucesso, até porque, reiterou, o protocolo entre Itália e Albânia é “um
acordo europeu de grande alcance”, que muitos Estados-membros da UE
querem replicar.“O primeiro-ministro Rama
pode testemunhar que várias nações europeias há muito que tentam aderir à
iniciativa do Protocolo Itália-Albânia, porque todos compreendem que
uma iniciativa deste tipo é revolucionária para a gestão dos fluxos
migratórios”, disse. Os dois centros para
migrantes construídos na Albânia estão localizados em Shengjin (um ponto
de identificação) e Gjader (um centro maior, para detenção e gestão de
pedidos de asilo), mas, um ano após a sua inauguração, estão
praticamente vazios, o que tem gerado muitas críticas dos partidos da
oposição em Itália, dado o Governo ter investido mais de 700 milhões
neste projeto.A ideia original era
deslocalizar para a Albânia centros de acolhimento para deportação de
imigrantes clandestinos resgatados no mar - somente homens considerados
"saudáveis" e provenientes de “países seguros”, ficando excluídos
mulheres e crianças -, mas, por mais de uma vez, os navios da Marinha
italiana tiveram de fazer regressar os imigrantes transferidos para
Gadjer por decisões de tribunais italianos, o que provocou um conflito
aceso, ainda em curso, entre o Governo de Meloni e o poder judicial.