Meloni considera situação humanitária em Gaza "dramática e injustificável"

Médio Oriente

14 de mai. de 2025, 16:58 — Lusa/AO Online

Referindo conversas "muitas vezes difíceis" com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, Meloni reiterou "a necessidade de respeitar o direito internacional humanitário (...) perante uma situação humanitária em Gaza” que descreveu como “cada vez mais dramática e injustificável"."Discordamos de várias escolhas, discordamos das propostas recentes do Governo israelita e não hesitamos em dizer isso aos nossos interlocutores, cientes de que não foi Israel quem iniciou as hostilidades e que havia um plano por trás dos ataques desumanos do Hamas e da crueldade contra os reféns", disse Meloni, numa sessão de perguntas na Câmara dos Deputados (câmara baixa do parlamento), respondendo ao deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verde-Esquerda (AVS).Meloni também voltou a condenar os "ataques desumanos" do Hamas e a "crueldade" do movimento islamita palestiniano contra os reféns, pedindo a sua “libertação imediata".O Governo italiano, um firme apoiante de Israel na luta contra o movimento islamita palestiniano Hamas, até agora nunca condenou a situação humanitária na Faixa de Gaza, que enfrenta um "risco crítico de fome", de acordo com o relatório do IPC (Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar) publicado na segunda-feira.Meloni adiantou ainda que Itália não pretende retirar o seu embaixador em Israel.Durante o debate, o ex-primeiro-ministro e líder populista e progressista do Movimento 5 Estrelas (M5S), Giuseppe Conte, pediu aos deputados que se levantassem e realizassem um protesto silencioso contra o "extermínio" em Gaza, o que todos os partidos da oposição fizeram."Apelo a todos os colegas: vamos dar um sinal de humanidade. Vamos condenar esse extermínio em silêncio, vamos levantar-nos", disse Conte no hemiciclo, convidando os parlamentares a fazerem um gesto por Gaza.A primeira-ministra não se levantou, motivando críticas de Conte: “Ela continua sentada, que vergonha”.Num discurso perante soldados na reserva na segunda-feira, o primeiro-ministro israelita avançou que "nos próximos dias” as forças israelitas entrarão “com toda a força para concluir a operação e derrotar o Hamas".Netanyahu acrescentou que o seu gabinete estava a trabalhar para encontrar países dispostos a aceitar os habitantes de Gaza, mostrando-se confiante de que "mais de 50%" irão embora, e "ainda mais".A 05 de maio, Israel anunciou uma nova campanha militar que "conquistaria" Gaza e exigiria o deslocamento interno da "maioria" dos habitantes do pequeno território.A guerra eclodiu em Gaza após um ataque sem precedentes do grupo islamita palestiniano Hamas em solo israelita, em 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.Após o ataque do Hamas, Israel desencadeou uma ofensiva em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 52 mil mortos, na maioria civis, e um desastre humanitário, desestabilizando toda a região do Médio Oriente.