Melo remete acompanhamento sobre contaminação nas Lajes para “entidades públicas certificadas”
Hoje 15:34
— Lusa/AO Online
Durante
uma audição regimental na Assembleia da República, Nuno Melo foi
interrogado pelo deputado do Livre Rui Tavares sobre uma investigação,
noticiada na semana passada pelo Expresso e que a Lusa já tinha revelado
em março de 2025, na qual foi detetado chumbo em esqueletos, reforçando
suspeitas de contaminação e ligação a surto de cancros naquela zona, no
concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira.Nuno
Melo começou por dizer que “a contaminação dos solos e áreas
subterrâneas, supostamente associada à atividade militar
norte-americana, é uma situação conhecida e acompanhada há muitos anos
no quadro dos mecanismos previstos no Acordo de Cooperação e Defesa
entre Portugal e os Estados Unidos da América”.Esse
acompanhamento, de acordo com o ministro, “é efetuado através de uma
comissão técnica, em articulação com entidades competentes,
designadamente o LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil] e a
Entidade Reguladora de Serviços de Águas e Resíduos dos Açores, com base
em informação técnica e científica”.Mais
tarde, numa resposta ao deputado socialista e líder do PS/Açores,
Francisco César, o ministro recusou pronunciar-se sobre “teses de
doutoramento ou outras”, afirmando que o seu foco são “entidades
públicas certificadas”.Francisco César
quis saber se o trabalho que está a ser feito “é para mitigar os
impactos da contaminação ou é, de facto, um plano de descontaminação das
zonas afetadas”.De acordo com Nuno Melo,
desde 2024 “têm sido realizados estudos pelos Estados Unidos com a
disponibilização de relatórios a Portugal”, e desde 2011 “foram
desenvolvidas ações de monitorização e descontaminação com fases de
diferente intensidade”.“Na sequência dos
trabalhos de avaliação desenvolvidos em 2023, foram concretizadas as
ações de monitorização e reabilitação em 2024. Os trabalhos realizados
permitiram, de acordo com os dados que possuímos, reduzir o número de
locais sob monitorização de 41 para 5, mantendo-se o acompanhamento dos
locais tecnicamente identificados”, acrescentou.“O
Governo, e a Defesa Nacional desde logo, continuam a acompanhar o
processo no quadro das competências, em articulação com entidades
técnicas apropriadas, com as entidades regionais envolvidas, com as
autoridades norte-americanas, procurando que as decisões assentem na
melhor informação técnica disponível”, salientou.O
armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela
Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação
de solos e aquíferos na Praia da Vitória.Identificada
em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada,
em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que
monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.A Base das Lajes, nos Açores, é utilizada militarmente pelos EUA no âmbito de um acordo de cooperação.