Melhores salários e imigração aumentam mão-de-obra no turismo na Madeira
17 de fev. de 2023, 08:24
— Lusa/AO Online
"Existiram algumas
decisões muito importantes de grupos maiores que passaram pela
importação de mão-de-obra de alguns países de língua oficial portuguesa e
que tiveram um efeito engraçado: é que essas pessoas ao virem para a
Madeira trouxeram outras e acabaram por servir não só as unidades dos
grupos (hoteleiros) que as trouxeram, mas trazendo outras para a
restauração e para oferta de serviços turísticos", afirmou Eduardo Jesus
à Lusa.Ainda que a escassez de
mão-de-obra, nomeadamente no setor que tutela, não tenha afetado tanto a
Madeira como o continente, Eduardo Jesus admite que ainda há o que
fazer neste tema, até para manter a qualidade da oferta do destino."A
Madeira não tem e não teve restaurantes fechados por falta de
mão-de-obra. Quer dizer, não chegámos a esse ponto. Agora, é verdade que
o serviço sai prejudicado quando não temos a estrutura de oferta de
mão-de-obra adequada. Portanto, admito que, acima de tudo, para não
prejudicar a qualidade do serviço na Madeira tem que haver um reforço"
de trabalhadores, afirmou à Lusa.Sublinhando
que a região não se debate com "o mesmo problema que se colocou no
Algarve, nos Açores, ou mesmo em Lisboa, onde ainda hoje em dia se nota
grupos que têm várias unidades em que há sempre uma que está mais
prejudicada porque estão a salvaguardar as outras - e isso na Madeira
não aconteceu - é um problema com que nós temos que lidar", admite.E uma das formas de captar e reter trabalhadores é remunerando melhor."Se
não houver meios que garantam melhores ordenados ao setor é difícil
reter as pessoas", disse, para de seguida apontar o caso de dois grandes
grupos hoteleiros da região que subiram os salários praticados."Isto
é um excelente sinal porque durante todo o processo pandémico houve
muita alteração no mundo laboral, muitas das pessoas que saíram do setor
encontraram maior flexibilidade e outra facilidade de rendimentos.
Comodidade no trabalho. E é muito difícil recuperar essas pessoas se não
houver uma rentabilidade para elas bastante superior ao que tinham",
sublinhou Eduardo Jesus. Motivo pelo qual a
gestão do setor também definiu como prioridade para o turismo a
manutenção de preços, maiores ganhos de rentabilidade das empresas. "Portanto,
eu diria que estamos melhor neste momento do que em 2022 e estes
anúncios sobre as remunerações são cenários para uma leitura bastante
positiva no que diz respeito à expectativa - que é legítima - dos
trabalhadores do setor", concluiu o secretário Regional de Turismo e
Cultura da Madeira.