Melania Trump defende "paz através da educação" em discurso inédito na ONU
Hoje 12:21
— Lusa/AO Online
"As crianças criadas
numa cultura enraizada na inteligência desenvolvem confiança, inovam,
constroem, competem e mantêm um profundo sistema de valores. O
conhecimento fomenta a empatia pelos outros, transcendendo a geografia, a
religião, a raça, o género e até os valores locais", afirmou a mulher
do Presidente Donald Trump no seu discurso.Segundo
a ONU, esta é a primeira vez nos 80 anos da história das Nações Unidas
que o cônjuge de um chefe de Estado em exercício preside uma reunião do
Conselho de Segurança."Mas as crianças
criadas numa cultura enraizada na ignorância estão rodeadas de desordem
e, por vezes, até de conflito. Essas sociedades estão repletas de
pensadores inflexíveis que abraçam o preconceito e rejeitam a dignidade
humana. Quando uma nação restringe o pensamento, ela restringe o seu
próprio futuro", declarou, sem referir nenhum país em concretoApesar
do contexto inédito da presença de Melania Trump no órgão mais poderoso
da ONU, analistas têm destacado que o discurso da primeira-dama poderá
ser ensombrado por um alegado ataque a uma escola para meninas no sul do
Irão, no contexto da ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos
em curso contra o Irão, que matou mais de 100 pessoas, segundo as
autoridades iranianas.Os militares
israelitas disseram não ter conhecimento de ataques na área e os
norte-americanos indicaram estar a investigar as informações."A
paz não precisa de ser frágil", disse a primeira-dama, na reunião
dedicada ao tema “Crianças, tecnologia e educação em conflito"."A
paz duradoura será alcançada quando o conhecimento e a compreensão
forem plenamente valorizados em todas as sociedades", acrescentou,
frisando que sociedades regidas pelo conhecimento e pela sabedoria são
mais pacíficas.Melania não fez qualquer
menção às hostilidades no Médio Oriente, onde milhares de crianças
perderam a vida nos últimos anos, incluindo em lugares como Gaza.Por
outro lado, a primeira-dama norte-americana quis expressar
as condolências "às famílias que perderam os seus heróis, que
sacrificaram as suas vidas pela liberdade"."A sua coragem e dedicação serão sempre lembradas", disse.Na
mesma reunião, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e
de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, mencionou a morte de
"possivelmente dezenas de crianças" na escola iraniana e observou que as
autoridades norte-americanas "estão a investigar" o ocorrido."As
escolas em Israel, nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar, no Bahrein e
em Omã fecharam e passaram para o ensino à distância devido às operações
militares em curso na região", lamentou DiCarlo.Melania
também não fez menção direta à situação das crianças em outros
conflitos, como as guerras em curso na Ucrânia ou no Sudão, entre
outras.A presidência rotativa do Conselho
de Segurança tem a prerrogativa de escolher o tema e os participantes de
algumas reuniões, sendo que em março o órgão é presidido pelos Estados
Unidos.Pouco antes do início da sessão com
Melania Trump, o embaixador do Irão na ONU, Amir Saeid Iravani,
considerou "profundamente vergonhoso e hipócrita" que os Estados Unidos
convocassem uma reunião sobre a proteção de crianças durante conflitos
enquanto realizavam ataques aéreos contra cidades iranianas.“Para
os Estados Unidos, 'proteger as crianças' e 'manter a paz e a segurança
internacionais' significam claramente algo muito diferente do que prevê
a Carta da ONU”, disse o diplomata aos jornalistas.A
primeira-dama chegou à sede da ONU, em Nova Iorque, com uma comitiva e
foi recebida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.Melania
Trump cumprimentou cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança e
posou para uma fotografia de grupo antes do arranque da sessão.A presença da primeira-dama surge também num momento de relações tensas entre os Estados Unidos e a ONU.Donald
Trump criticou a ONU em diversas ocasiões, retirou os Estados Unidos de
importantes organizações das Nações Unidas, incluindo a Organização
Mundial da Saúde e a UNESCO, além de ter cortado o financiamento de
dezenas de outras.Washington também deixou
de pagar totalmente as suas contribuições obrigatórias e deve milhares
de milhões de dólares às Nações Unidas.Isso
gerou uma crise financeira na ONU, com Guterres a alertar no final de
janeiro que a organização que lidera enfrentava um "colapso financeiro
iminente".