Meios de combate são reforçados com desafio simultâneo de resposta à covid-19
Incêndios
15 de mai. de 2020, 09:39
— Lusa/AO Online
A
Diretiva Operacional Nacional (DON), que estabelece o dispositivo
especial de combate a incêndios rurais (DECIR) para este ano, indica
que, entre hoje e 31 de maio, o reforço de meios se situa no nível II, o
primeiro aumento adicional do ano.Durante
este período, vão estar disponíveis 8.402 operacionais que integram as
1.945 equipas e 1.968 viaturas dos vários agentes presentes no terreno,
além dos meios aéreos, que serão no máximo 37.Entre
os meios, a DON prevê, para este período, cerca de 3105 elementos
pertencentes aos bombeiros voluntários, 228 operacionais da Força
Especial de Bombeiros e 2.200 da GNR, em que se inclui os guardas
florestais, além dos quase 3.000 sapadores florestais.No
âmbito do DECIR está já em funcionamento, desde o dia 07 de maio, a
Rede Nacional de Postos de Vigia, composta por 77 postos de vigia para
prevenir e detetar incêndios.A época de
incêndios tem este ano o “grande desafio” em conciliar a resposta à
pandemia de covid-19 com o combate aos fogos, nomeadamente a proteção
dos operacionais envolvidos no DECIR.A
secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, afirmou
esta semana, no parlamento, que o DECIR em 2020 tem o desafio de
garantir o combate aos incêndios a proteção da floresta e, em
simultâneo, proteger os operacionais que possam contrair Covid-19.Nesse
sentido, o Governo já anunciou que estão previstas “quatro grandes
medidas” para mitigar “o eventual impacto da redução de operacionais”
que possam ficar infetados com Covid-19 durante os meses de combate a
incêndios, que tem a ver com a rotatividade do dispositivo, utilização
de forças de redundância, balanceamento (equilíbrio) de meios entre
distritos e reforço da vigilância em áreas crítica.A
Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) também já
anunciou que está a preparar um documento operacional com medidas e
instruções que devem ser seguidas pelos envolvidos no combate aos para
minimizar os efeitos da covid-19 no terreno.A
época de incêndios também é ensombrada com as dificuldades financeiras
que vivem atualmente as associações humanitárias de bombeiros devido à
atual situação pandémica, o que pode comprometer a sua capacidade de
resposta a emergências.Estas dificuldades
financeiras “são fruto da diminuição abrupta do transporte de doentes
não urgentes, com um impacto muito significativo na sua faturação,
agravada pelo acréscimo repentino de gastos com equipamentos de proteção
individual e material de desinfeção”, segundo foi revelado esta semana.
Para fazer face a esta situação, o
Governo aprovou apoios para as corporações que se encontram em situação
de debilidade financeira e, para fazer face às necessidades de
tesouraria, nomeadamente para assegurar o pagamento de salários aos
bombeiros assalariados e demais trabalhadores. Também
esta semana o Governo aprovou a circular financeira, que prevê que os
bombeiros voluntários que integram o combate aos incêndios sejam
aumentados este ano em quatro euros por dia, passando a receber 54
euros.A circular financeira, documento
anual que regula a comparticipação do Estado das despesas resultantes
das intervenções dos corpos de bombeiros no âmbito dos dispositivos da
ANEPC, contempla ainda um aumento de 10% no valor da comparticipação com
alimentação.Os meios de combate a
incêndios voltam a ser reforçados em 01 de junho, mas é entre julho e
setembro, conhecida pela fase mais crítica, o período que mobiliza o
maior dispositivo, estando este ano ao dispor de 11.825 operacionais,
2.746 equipas, 2.654 veículos e 60 meios aéreos. Os
meios são este ano reforçados em 3% face a 2019, nomeadamente com mais
guardas florestais e sapadores florestais, e o dispositivo aéreo é
contratado para quatro anos.