Megaoperação de segurança em Nova Iorque aguarda por Donald Trump
3 de abr. de 2023, 12:12
— Lusa/AO Online
Donald
Trump, acusado formalmente num caso que envolve o pagamento de suborno à
atriz pornográfica Stormy Daniels para garantir o seu silêncio face a
um caso extraconjugal, deverá voar ainda para Nova Iorque, onde se
espera que se entregue às autoridades no tribunal criminal de Manhattan,
na terça-feira.Esta que é a primeira
acusação de um ex-presidente na história dos Estados Unidos da América
(EUA) - que também é candidato à Casa Branca em 2024 - e acarretou
grandes desafios de segurança, com as autoridades a prepararem-se para
possíveis manifestações.Ainda não são
conhecidas as acusações que o ex--presidente epublicano enfrentará, mas
alguns dos seus aliados mais fiéis saíram em sua defesa, como é o caso
da congressista Marjorie Taylor Greene, que anunciou que estará na
terça-feira em Nova Iorque para protestar contra esta acusação, que
classificou de "caça às bruxas", e instou os seus mais de 600 mil
seguidores na rede social Twitter a fazer o mesmo. Nas
últimas semanas, antecipando a sua acusação, Donald Trump tem exortado
os seus apoiantes a protestarem, mas registaram-se poucas manifestações
públicas de apoio pelo país.Levantaram-se
então questões sobre se Trump, o candidato republicano líder na corrida
presidencial de 2024 que mantém seguidores devotos, ainda tem o mesmo
poder de mobilização como o que teve no ataque ao Capitólio de 06 de
janeiro de 2021.Na sexta-feira, todos os
35.000 membros do Departamento de Polícia de Nova Iorque (NYPD, na sigla
em inglês) foram chamados ao serviço e agentes do Serviço Secreto
estiveram no tribunal criminal de Manhattan para determinar a forma como
o ex-presidente entrará e sairá do edifício em segurança.Barreiras
metálicas foram colocadas em frente à Trump Tower, um arranha-céus em
Manhattan que tem atraído muita atenção nos últimos dias."Não
existe um manual sobre como atuar em caso de acusação de um
ex-presidente. Isto vai ser algo completamente novo", disse um ex-agente
do FBI à rede televisiva ABC News.O próprio ex-presidente alertou nas redes social para a possibilidade de "mortes e destruição" caso fosse acusado.A
segurança do procurador distrital de Manhattan, Alvin Bragg,
responsável por liderar esta investigação contra Trump, também tem sido
uma das prioridades das autoridades de Nova Iorque, uma vez que já
recebeu pelo menos uma ameaça de morte.Até
ao momento, um dos poucos protestos agendados para terça-feira é o do
'New York Young Republican Club', que se juntará aos esforços de
Marjorie Taylor Greene."A politização
aberta de Alvin Bragg (...) ameaça todos os americanos. A caça às bruxas
sem precedentes de vários anos contra o presidente Donald Trump
aproxima-nos um passo de uma América irreconhecível. Junte-se a nós e à
congressista Marjorie Taylor Greene na terça-feira para protestar
pacificamente contra a perseguição política, prisão e acusação de (...)
Trump. Faça a sua voz ser ouvida. Lute pela América. Lute por Trump",
convocou o grupo Republicano nas redes sociais.O
'New York Young Republican Club' já tinha convocada um outro protesto
em defesa de Trump, em 20 de março, em frente ao tribunal criminal de
Manhattan, mas na ocasião apenas cerca de 20 apoiantes compareceram.Em
contraste com a falta de apoio a Trump, dezenas de equipas de
reportagem têm-se acumulado nas últimas semanas em frente às grades de
metal instaladas pela Polícia de Nova Iorque ao redor do tribunal,
evidenciando o grande interesse - nacional e internacional - que este
caso tem despertado.