Médio Oriente: Rússia condena ocupação de Gaza e alerta para "catástrofe humanitária"
9 de ago. de 2025, 20:13
— Lusa
"A implementação destas decisões e planos, que foram recebidos com condenação e rejeição, corre o risco de agravar a situação já terrível no enclave palestiniano, que apresenta todos os sinais de uma catástrofe humanitária", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado.A declaração foi divulgada na véspera de uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, do qual a Rússia é membro permanente, sobre os planos israelitas de ocupação da principal cidade da Faixa de Gaza.A decisão do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de ordenar ao Exército que assuma o controlo da Cidade de Gaza, no norte do território, e deslocar centenas de milhares dos seus habitantes está a provocar uma vaga de protestos e indignação em todo o mundo.Antes da reunião do Gabinete de Segurança, que aprovou na madrugada de sexta-feira o plano de expansão das operações de Israel no enclave palestiniano, Netanyahu disse à emissora norte-americana Fox News que o objetivo é ocupar toda a Faixa de Gaza, mas que não tencionava mantê-la ou governá-la.Segundo o chefe do Governo, Israel pretende garantir um “perímetro de segurança” antes de entregar o território ao que designou “forças árabes”, que o governarão “sem ameaçar Israel”.Segundo a imprensa israelita, a operação começará pela Cidade de Gaza, cujos habitantes serão deslocados para o sul até 07 de outubro, o segundo aniversário dos ataques do grupo islamita Hamas em Israel, que desencadearam a atual guerra.Além da derrota e desarmamento do Hamas, da desmilitarização da Faixa de Gaza e do controlo israelita da segurança, Israel reafirmou o princípio do regresso dos reféns ainda em poder dos extremistas palestinianos, 20 dos quais vivos e 30 mortos, para o fim da ofensiva.Um dos princípios essenciais aprovados pelo Governo de Netanyahu é “o estabelecimento de uma administração civil alternativa que não seja nem o Hamas nem a Autoridade Palestiniana”, que governa parte da Cisjordânia.O Gabinete de Segurança tomou a decisão contra a opinião do comandante das forças armadas, Eyal Zamir, que, segundo vários meios de comunicação israelitas, apresentou um plano alternativo à ocupação de Gaza, que consistia em cercar as cidades e os campos de refugiados e fazer incursões pontuais.Zamir defendeu que entrar por terra em zonas onde houvesse reféns poderia pô-los em perigo, como já aconteceu no passado.Em reação às medidas aprovadas na última madrugada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou-as uma "escalada perigosa" e que trazem "o risco de agravar consequências já catastróficas para milhões de palestinianos".A decisão israelita pode conduzir a "mais deslocações forçadas, assassínios e destruição em massa, exacerbando o sofrimento inimaginável da população palestiniana em Gaza", alertou ainda Guterres, através de um porta-voz.Israel impôs um bloqueio ao território e impediu as organizações internacionais de distribuírem ajuda à população, que tem sido feita exclusivamente desde maio pela Fundação Humanitária de Gaza, criada com apoio das autoridades de Telavive e Washington.Segundo as autoridades palestinianas, controladas pelo Hamas, mais de 200 pessoas morreram de fome ou subnutrição nas últimas semanas na Faixa de Gaza, das quais cerca de metade eram crianças.O conflito foi desencadeado pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, onde perto de 1.200 pessoas morreram e cerca de 250 foram feitas reféns.Em retaliação, Israel lançou uma vasta operação militar no território, que já provocou mais de 61 mil mortos, segundo as autoridades locais, a destruição de quase todas as infraestruturas do enclave e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.