Medina defende em Bruxelas pacote de apoios face a críticas de PSD e BE
Crise/Inflação
8 de set. de 2022, 10:53
— Lusa/AO Online
Convidado este mês para
participar no «diálogo económico» do ciclo de debates promovidos pela
comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, Medina focou a
sua intervenção no pacote de medidas para apoio aos rendimentos das
famílias para atenuar os efeitos da inflação, estimado em 2.400 milhões
de euros em termos de impacto na despesa, aprovado na segunda-feira em
Conselho de Ministros, que mereceu duras críticas dos eurodeputados
portugueses de partidos da oposição membros desta comissão parlamentar.Interpelando
o ministro, a eurodeputada Lídia Pereira (PSD, Partido Popular Europeu)
começou por apontar que é esperado até final do ano “um excesso de
receita fiscal entre os 6 e 7 mil milhões de euros” e, lembrando que,
entre o programa de emergência apresentado pelo Governo e medidas já
executadas, estão em causa cerca de 4 mil milhões de euros, questionou
Medina sobre “o que pensa o Governo fazer com 3 mil milhões de euros que
nunca esperou cobrar”.“A minha pergunta é
por isso muito simples: o que é que vai fazer com estes 3 mil milhões
que Governo nunca esperou ter ao seu dispor? Deveria estar a libertar
recursos e na verdade está a encher os cofres do Estado. Por isso não é
um programa de famílias em primeiro. Às tantas parece que é o Estado em
primeiro e as famílias em último, porque para os jovens zero, para a
classe média menos do que isso, e por isso serão uma vez mais os mesmos a
pagar”, afirmou a deputada.Lídia Pereira
também criticou o apoio aos reformados e pensionistas, que é “único,
pontual e limitado”, que “fica aquém” daquilo a que teriam direito “com a
devida aplicação da lei” e acusou o Governo de estar a “enganar quem
trabalhou e descontou uma vida inteira”.Na
resposta, Medina afirmou-se surpreendido por a deputada ter dedicado
boa parte da sua intervenção a “criticar o programa de apoio apresentado
pelo PSD”, argumentando que, na sua versão original, esse plano dos
sociais-democratas era “menos de metade do pacote do Governo” de 2,4 mil
milhões de euros – pois quedava-se pelos mil milhões -, e, “à medida
que saíam notícias” sobre a falta de ambição do mesmo, “foram aparecendo
dia após dia novas medidas” para “remendar um programa pouco feliz no
seu desenho”. Insistindo que o pacote de
emergência adotado pelo Governo “é um programa que responde às
necessidades, eficaz nas soluções, abrangente nos públicos que atinge e
responsável do ponto de vista financeiro”, o ministro recordou os apoios
previstos para as famílias e comentou que considerá-los “menos do que
zero” é infeliz.Relativamente aos
pensionistas e reformados, reiterou que “o Governo está a fazer o que é
correto e de forma clara”, com um “apoio extraordinário, que é
extraordinário, para apoiar necessidades de pensionistas nesta altura,
porque é nesta altura que a inflação é mais alta”.“O
que podemos assegurar – algo que o PSD não pode, porque não tem
credibilidade para assegurar - é que em 2022 os pensionistas tiveram um
aumento, têm um apoio extraordinário, em 2023 terão um aumento e em 2024
terão um aumento. Por mais que se esforcem em dizer o contrário, é esta
a realidade”, declarou.Pouco depois,
Fernando Medina foi interpelado pelo outro eurodeputado português da
comissão parlamentar pertencente a um partido da oposição, José Gusmão,
do Bloco de Esquerda/Grupo de Esquerda Unitária, que também teceu
críticas ao montante do pacote de apoios e às medidas concretas para os
pensionistas.Apontando que o Estado teve
“mais de 5 mil milhões de euros de receita fiscal”, verificaram-se
“lucros extraordinários no setor da energia, mas também uma
desvalorização no primeiro semestre de 4,6% dos salários em Portugal”, o
deputado bloquista salientou ainda que aquilo a que o ministro “chamou
de devolução do esforço fiscal” das famílias - “é uma compensação que
corresponde a menos de 1/7 do aumento da receita fiscal total só no
primeiro semestre deste ano”.Por outro
lado, observou também, relativamente às pensões trata-se de “um
adiantamento, não um donativo, que vai ser pago em 2023, em 2024, em
2025, em 2026, até ao fim da vida destes pensionistas”.“A
questão é: se num contexto de receita fiscal recorde, num contexto de
crescimento económico, num contexto de lucros extraordinários da banca, a
solução de apoio às famílias do Governo é um corte definitivo das
pensões, em que é que a estratégia deste Governo se distingue da
estratégia da ‘troika’?”, perguntou. Na
resposta, o governante disse que “a diferença é tão óbvia que quase
dispensaria uma resposta”, apontando novamente que as pensões aumentam
anualmente e enquanto este Governo estiver em funções continuarão a
aumentar.“Agora, o que nós não faremos é
nunca colocar a situação de estarmos numa situação de que de hoje para
que amanhã se tenha de retirar. Não, nós não retiramos, não há nenhum
corte, não há nenhuma redução”, disse.Na
sua intervenção inicial, Fernando Medina já reiterara a importância de
apoiar as famílias no contexto atual particularmente difícil, afirmando
que é “em alturas como esta” que se pode usar a “margem de credibilidade
para encontrar os meios para financiar as políticas”, mas reiterou a
necessidade de não se comprometer a capacidade orçamental no futuro.“Não
sabemos durante quanto tempo vamos ter de lidar com os efeitos da
guerra, temos de preservar a nossa capacidade de agir”, disse,
reafirmando o firme compromisso de Portugal de cumprir as metas com que
está vinculado, para desse modo estar preparado para o futuro.