Médicos querem que tutela acione “rapidamente” ‘task force’ para doentes não Covid
9 de fev. de 2021, 16:43
— Lusa/AO Online
“É
absolutamente essencial [pôr em prática o Plano de contingência para
doentes não Covid]. Neste momento é uma das medidas mais importantes. A
sugestão que deixo à ministra da Saúde é que rapidamente ative a ‘task
force’ dessa área se é que ela existe”, disse o bastonário.Miguel
Guimarães defendeu que “é preciso que os médicos de família tenham mais
tempo para ser os seus doentes de sempre”, considerando decisivo
“libertá-los de algumas tarefas” para acelerar a resposta a doentes não Covid.“Quando esta situação da Covid-19
terminar vamos ter dois tsunamis. O da economia que tem impactos sociais
enormes. E o tsunami da saúde. A saúde vai ter muito impacto nos
doentes não Covid-19. Temos já de começar a atuar no terreno nesta
matéria. Acho que nunca existiu um plano de recuperação dos doentes não Covid pelo menos que fosse público e que fosse generoso e com eficácia”,
disse Miguel Guimarães.O bastonário da OM
falava aos jornalistas no Porto, ao lado do presidente do conselho de
administração do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ),
Fernando Araújo, que também questionado sobre esta matéria, disse que
“os doentes não Covid são um enorme motivo de preocupação”.“Atualmente
um e cada três doentes não está a chegar aos hospitais e se a
incidência das patologias não reduziu, significa que vamos tê-los mais
tarde em piores condições clínicas, mais graves e isso é algo que temos
de impedir e reverter. E oncologia temos assistido a doentes que
recorrem ao hospital mais tardiamente e com condições clínicas mais
complexas e mais difíceis de tratar”, disse Fernando Araújo.O
responsável do CHUSJ defendeu que “deve existir um plano a nível
nacional que consiga inverter esta realidade”, falando em “impacto muito
relevante a médio e longo prazo”.“Alguns
especialistas a nível nacional e europeu apontam que a esperança média
de vida pode ter um retrocesso pela primeira vez em muitos anos.É
um motivo de preocupação e tentamos que estes doentes não tenham a sua
resposta adiada ou suspensa”, disse o responsável por um hospital que
acolhe hoje 120 doentes Covid-19, dos quais mais de 50 em unidade de
cuidados intensivos.