Médicos querem mais Centros de Responsabilidade Integrada para regenerar SNS

12 de abr. de 2023, 10:26 — Lusa/AO Online

“Não é a única solução, mas é uma das soluções. Através dos Centros de Responsabilidade Integrada [CRI] pode haver uma reorganização e uma regeneração dos serviços de saúde a nível hospitalar”, disse, em declarações à Lusa, Varandas Fernandes, que dirige o CRI de Traumatologia Ortopédica do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.O responsável acredita que estes centros, que são estruturas dependentes dos conselhos de administração dos hospitais, mas assumem compromissos de desempenho assistencial, económico e financeiro – como acontece com as Unidades de Saúde Familiar -, além de ajudarem a reformar o Serviço Nacional de Saúde são mais atrativos para fixar os profissionais, que recebem incentivos financeiros pelo desempenho.Varandas Fernandes adianta que a principal missão da associação (CCRIA - Convergência dos Centros de Responsabilidade Integrada Associação), que será criada esta semana, é acompanhar, dinamizar e promover os CRI, sublinhando a importância de funcionarem com equipas multidisciplinares.Dá o exemplo do CRI que dirige e explica: “temos um farmacêutico, um colega da medicina interna, uma assistente social, uma nutricionista. É uma visão alargada de abordar um doente, não apenas pela patologia que apresenta quando entra num hospital".“Por vezes, quando chega, o doente já traz muitas doenças de base”, lembra o responsável, insistindo que [com os CRI] os resultados acabam por aparecer, não só na demora média [dos casos], como nas taxas de mortalidade: “E isto acabará por ter sempre um bom reflexo ao nível dos cuidados primários de saúde e dos serviços de urgência”, insiste.Quanto aos profissionais, diz, sentem-se mais realizados porque têm remunerações adicionais. “Têm suplementos remuneratórios consoante a atividade prestada e este pode ser um dos caminhos para ajudar a regenerar e a reformar o SNS”.A associação terá como associados não só responsáveis pelos CRI já existentes – há cerca de 15, de várias especialidades, a funcionar em pleno -, como também os profissionais que ali estão integrados.“Qualquer profissional que desempenhe funções num CRI, seja médico, enfermeiro, técnico de diagnóstico e terapêutica ou técnico administrativo pode fazer parte desta associação”, acrescenta.Varandas Fernandes considera que o SNS “precisa de uma regeneração interna, de estruturas orgânicas intermédias que deem uma vitalidade e impulsionem novos métodos e novas organizações”, defendendo que os CRI são uma das soluções.O especialista sublinha a necessidade de criar Centros de Responsabilidade Integrada em áreas médicas onde não existem, assim como de fazer evoluir os CRI cirúrgicos.“Através desta associação podemos ajudar a melhorar os ganhos e os resultados em saúde, promovendo a criação de CRI", defende.No novo estatuto do SNS, o Governo deu uma orientação clara para os conselhos de administração promoverem novos CRI.No arranque, a associação já conta, entre outros, com os responsáveis de alguns CRI espalhados pelo país, como é o caso dos do Hospital Garcia de Orta (de Medicina Nuclear, Otorrinolaringologia, Dermatologia e Oftalmologia), do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CRI de Tratamento Cirúrgico de Obesidade e Doenças Metabólicas), Centro Hospitalar São João (Patologia Mamária, Obesidade) e Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (de Psiquiatria e Oftalmologia).