Médicos lamentam condução "unilateral e irresponsável" de acesso à especialidade
20 de nov. de 2023, 10:58
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI) da Ordem dos Médicos (OM)
lembra que, historicamente, as competências técnicas delegadas na OM -
de monitorização e atribuição de capacidades formativas às instituições
de saúde – “têm sido o garante da qualidade da formação dos médicos mais
jovens, bem como da segurança de doentes e profissionais de saúde”.
Lembra que este ano, pela primeira vez, para fixar médicos em zonas do
país mais carenciadas, o Ministério da Saúde criou vagas com planos
especiais e individualizados de formação, cujos moldes “deveriam ser
alvo de preparação conjunta entre a tutela, as instituições e a Ordem
dos Médicos”. “Foram ainda criadas vagas
protocoladas entre o Hospital Central do Funchal e instituições do
continente, independentemente da existência de capacidade formativa”,
acrescenta. Lamentando o modo como foi
preparado e lançado pela tutela o procedimento concursal de ingresso no
Internato Médico 2023, nomeadamente no que diz respeito ao mapa de vagas
de especialidade, o CNMI sublinha que a falta de comunicação da tutela
com as instituições de formação e com a OM resultou, até ao momento, na
ausência de definição e divulgação dos planos formativos destas vagas.
Considera ainda “inaceitável” que os candidatos não tenham tido acesso a
informações essenciais referentes ao local, tempo e programa formativo
destas vagas e lembra que tal situação pode vir a colocar estes
candidatos em posições de incerteza e de injustiça perante os seus
pares. A OM diz compreender as atuais
circunstâncias de dificuldades na retenção de médicos em determinadas
regiões, instituições e serviços do país, mas frisa que a solução “não
pode passar por forçar a colocação de médicos internos em vagas de
especialidade que não garantam os critérios mínimos de qualidade de
formação”. Tal situação – insiste –
perpetua a “baixa satisfação formativa, níveis elevados de ‘burnout’ e
rescisões de contrato por parte de médicos internos”.
Recorda igualmente o fenómeno crescente de vagas de especialidade não
escolhidas - 50 no concurso de 2021 e 161 no concurso de 2022 -,
considerando que o simples aumento do mapa de vagas não se traduz no
correspondente crescimento do numero de médicos especialistas no Serviço
Nacional de Saúde. O CNMI exorta ainda a
tutela a investigar “em maior detalhe” as causas do desinteresse nas
escolhas de especialidade nos últimos anos e aplicar “medidas robustas” e
de longo prazo para inverter esta tendência.