Médicos do SNS podem aceder ao processo clínico de todos os utentes
3 de nov. de 2025, 17:31
— Lusa/AO Online
O esclarecimento, pedido pela Lusa, surge após
a Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra ter informado que só foi
possível verificar ao final da tarde de domingo que a grávida, que
morreu na sexta-feira, se encontrava em acompanhamento nos cuidados de
saúde primários da ULS desde julho de 2025.A
ULS Amadora-Sintra justificou a “inexistência de um sistema de
informação clínica plenamente integrado, que permita a partilha
automática de dados e registos médicos entre os diferentes serviços e
unidades”.“A partilha de informação é
crítica para a prestação de cuidados com segurança e qualidade. No
Serviço Nacional de Saúde, todos os médicos podem aceder ao processo
clínico de todos os utentes, de qualquer Unidade Local de Saúde, através
do Registo de Saúde Eletrónico – Área do Profissional”, sublinham os
SPMS numa resposta escrita.Explicam que o
Registo de Saúde Eletrónico é constituído por dados clínicos recolhidos
eletronicamente para cada cidadão, produzidos por entidades que prestam
cuidados de saúde, sejam cuidados primários ou hospitalares. “Permite
o registo e partilha de informação clínica entre o utente,
profissionais de saúde e entidades prestadoras de serviços de saúde, de
acordo com os requisitos da Comissão Nacional de Proteção de Dados”,
adiantam. Os cidadãos podem aceder através da área pessoal do SNS 24 e os profissionais acedem através da área do profissional.A
SPMS refere que está a finalizar a migração dos sistemas de cuidados
hospitalares de suporte ao serviço administrativo e clínico para a Suite
Hospitalar - versão 2 do SONHO e SClínico.“No
universo de 42 instituições, apenas quatro entidades ainda não
concluíram a migração, um processo determinante para a transição digital
da saúde e para o projeto do Registo de Saúde Eletrónico Único”,
sublinham.O presidente da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra demitiu-se na sequência do caso da grávida que morreu na sexta-feira.A
ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse aos jornalistas, no
Porto, que aceitou o pedido de demissão do presidente da ULS
Amadora-Sintra, Carlos Sá.“No domingo, o
senhor presidente do Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra
informou-me de que uma parte da informação que me tinha sido dada era
incompleta, ou seja, que a informação que eu tinha veiculado não era a
informação total porque a grávida tinha, efetivamente, tido consultas de
vigilância nos cuidados de saúde primários daquela mesma ULS”, referiu.
A ministra acrescentou ainda: “Exatamente
porque esta falha é uma falha que é considerada grave pôs o seu lugar à
disposição e eu aceitei a demissão do presidente do conselho de
administração”. Lamentando a morte da
grávida e do bebé, a governante explicou que, na sexta-feira, quando
estava no debate do Orçamento do Estado para 2026 deu a informação que
havia recebido por parte da ULS Amadora-Sintra. “Foi
uma informação que me foi dada, que não me foi só dada a mim, foi dada a
todos os portugueses através da comunicação social”, salientou. Ana
Paula Martins assinalou que tem sempre muito cuidado com estas
informações porque são informações clínicas e não lhe compete estar a
comentar casos clínicos.Entretanto, Carlos
Sá justificou o pedido de demissão, alegando dever ético e
responsabilidade pessoal, após análise detalhada dos factos relativos ao
caso ocorrido na última semana envolvendo a morte de uma grávida.No
domingo, a ULS Amadora-Sintra reconheceu que a grávida de 36 anos
estava a ser acompanhada nos cuidados de saúde primários desde julho.