Médicos defendem análise profunda para compreender aumento de baixas

Hoje 09:41 — Filipe Torres

Carlos Ponte e Juan Gonçalves, da direção do Conselho Médico da Região Autónoma dos Açores,  foram ouvidos numa audiência parlamentar pedida pelo Chega/Açores no âmbito do absentismo laboral, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.Os responsáveis admitem que certas patologias e os atrasos nas cirurgias podem limitar a capacidade de trabalho. Contudo, referem que não está demonstrada uma relação causal suficiente para atribuir o aumento das baixas apenas às listas de espera de cirurgia na Região.“Eu não vejo muito como isso sendo responsável pelo aumento do número de baixas”, refere Carlos Ponte, apesar de reconhecer que o número atual de listas de espera “não está como seria desejável” e não nega que o atraso das listas de espera possa contribuir para o aumento de baixas.A Ordem aponta igualmente a saúde mental, nomeadamente a depressão, o burnout e outros fatores de saúde como possíveis fatores de incapacidade laboral. Ainda assim, salienta que estes fatores carecem de avaliação adequada para se compreender o peso efetivo.Os especialistas realçam que o envelhecimento da população, com o aumento de doenças degenerativas, reumáticas e outras limitações que poderá ter influência. As condições de trabalho, nomeadamente o esforço físico, desgastes emocionais e falta de pausas, também foram referidos como possível causa. Referiram, ainda, situações em que as creches recusam crianças com sintomas ligeiros ou exigem declarações médicas, o que poderá levar a ausências curtas de trabalho para os pais.Em 2025, a Ordem refere que recebeu uma queixa de uma entidade empregadora, que foi encaminhada para o Conselho Disciplinar da Região Sul. Na audição, os representantes disseram que ainda não receberam qualquer resposta sobre o desfecho. Para os responsáveis, os atos médicos e os dados dos utentes sejam devidamente salvaguardados, sem prejuízo dos mecanismos legais de verificação e de fiscalização. Acrescentam, ainda, que a verificação da fiscalização das baixas médicas cabe às entidades com competências.Os especialistas defendem que a medicina de trabalho deveria ser reforçada, e implementada em todas as entidades públicas.