Médicos de família pedem revisão urgente da organização do combate à pandemia
Covid-19
27 de jan. de 2022, 11:37
— Lusa/AO Online
Num
documento conjunto disponibilizado no ‘site’ da Ordem dos Médicos e que
resultou da colaboração de diversos profissionais, defendem que se
elimine a necessidade de presença física de um médico de família nos
centros de vacinação, dado o conhecimento atual sobre as vacinas,
“bastando a presença de um médico com treino em medidas de suporte de
vida para avaliar e orientar as intercorrências verificadas”.Defendem
também que todos os profissionais das unidades de saúde familiar e das
unidades de cuidados de saúde personalizados (médicos, enfermeiros e
assistentes técnicos) regressem aos respetivos locais de trabalho e
retomem a normal atividade assistencial, incluindo a doença aguda
respiratória.No documento, os médicos
pedem ainda que seja eliminada a estrutura dos ADR (Áreas Dedicadas para
Doentes Respiratórios), defendendo que, “excecionalmente e quando o
contexto local assim obrigue”, os agrupamentos de centros de saúde podem
criar “unidades assistenciais suplementares de resposta à doença aguda,
com recursos humanos próprios ou em regime de horário extraordinário”.“Precisamos
de um efetivo automatismo nas declarações de isolamento, por exemplo,
que continuam a registar dúvidas e constrangimentos que acabam por
desembocar nos centros de saúde. Ao final de dois anos de pandemia, nem
os registos estão uniformizados, mantendo duplicações de informação como
as que derivam do SINAVE Med e o SINAVE Lab”, considera ainda o
presidente do Colégio de Medicina Geral e Familiar, Paulo Santos, citado
num comunicado da Ordem dos Médicos.Na
mesma nota, o bastonário Miguel Guimarães sublinha a necessidade de “uma
comunicação efetiva entre as diversas estruturas do Ministério da
Saúde” que garanta “um discurso homogéneo e claro, incluindo a
otimização das aplicações informáticas disponíveis”.“Isso
implica também ouvir os profissionais que estão no terreno e que devem
estar integrados na elaboração das normas e regulamentos”, insiste.No
documento com as 10 medidas que sugerem para melhorar a resposta dos
médicos de família às necessidades de saúde dos portugueses, estes
profissionais de saúde pedem igualmente o reforço da capacidade de
resposta da linha SNS24, a revisão dos algoritmos de orientação e de
normas e orientações da DGS, "tendo em conta o conhecimento atual".A
“avaliação clínica personalizada”, com registo no processo clínico
eletrónico, eliminando os procedimentos relacionados com a aplicação
Trace Covid-19, e a promoção de “uma campanha de publicitação das
medidas de auto-cuidado para as pessoas infetadas por SARS-CoV-2 e
respetivos contactos, promovendo a capacitação para a gestão da doença”,
são outras medidas sugeridas.O documento
resultou de uma reflexão conjunta de elementos da direção do colégio de
Medicina Geral e Familiar, do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, da
Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), da
Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) e do grupo
de apoio técnico à implementação das políticas de saúde (GAPS), além do
bastonário da Ordem dos Médicos.