Médico que rejeitou liderar INEM diz que instituto "está a viver do voluntariado"
12 de set. de 2024, 11:11
— Lusa/AO Online
“As verbas do INEM não chegam.
Estamos a viver do voluntariado. Nós estamos a viver do voluntariado com
pessoas com 200 e poucas horas de formação. Como é que eu posso assumir
o cargo de presidente do INEM, se não me dão aquilo que é mais
importante, que é refundar?”, contestou Vítor Almeida na comissão
parlamentar da Saúde, onde foi ouvido a pedido da Iniciativa Liberal e
do Chega.Vítor Almeida, que é também
médico no INEM, falava no parlamento dois meses depois de ter rejeitado
liderar, a convite do Governo, o Instituto Nacional de Emergência Médica
(INEM).De acordo com o clínico do quadro do Hospital de Viseu, a peça-chave de “todo o puzzle” começa por profissionalizar o sistema. “Há
modelos de transição. Podemos colocar um técnico do INEM, juntamente
com os bombeiros, fazer equipas híbridas. Também a Ordem dos Médicos
podia ajudar um pouco neste processo, por ser uma fase de transição.
Estamos a falar de um investimento que pode ir até aos 80 milhões de
euros”, indicou o especialista em emergência.Aos
deputados, Vítor Almeida explicou que “mais de 80% do socorro em
Portugal” não é feito pelo INEM, mas sim pelos bombeiros e Cruz Vermelha
Portuguesa.Segundo o médico, há 445 postos de emergência médica em Portugal, dos quais 423 estão nos bombeiros.Nesse sentido, sustentou que o INEM precisa de reforço orçamental, nomeadamente para a formação. “Há
uma decalagem de nível brutal neste momento no socorro. (…) Nós temos
que profissionalizar estes meios, o que significa que nós precisamos à
vontade entre dois a quatro mil profissionais para trabalhar no
sistema”, sublinhou.Vítor Almeida tinha
sido nomeado no dia 04 de julho para a presidência do INEM, após a
demissão de Luis Meira na sequência da polémica com o concurso dos
helicópteros de emergência médica.Perante
isso, foi nomeado o militar Sérgio Dias Janeiro, que dirigia o serviço
de medicina interna do Hospital das Forças Armadas.