Medicamentos essenciais e fármacos até 30 euros não terão aumentos em 2026
14 de nov. de 2025, 11:25
— Lusa/AO Online
A
medida consta da portaria da Revisão Anual de Preços (RAP) que alarga a
isenção de subida de preços aos medicamentos com preço de venda ao
público até 30 euros, em vez dos 16 euros do ano passado.“Esta
medida visa proteger os medicamentos de mais baixo custo para que
possam estar disponíveis e, simultaneamente, vai trazer poupanças para o
Estado”, estimadas em cerca de 50 milhões de euros, um valor que poderá
ser investido no acesso à inovação terapêutica e na sustentabilidade do
SNS, salientou Rui Santos Ivo.Entre estes
estão medicamentos com elevada utilização em Portugal, como a
Metformina (antidiabético) e o Paracetamol (analgésico), segundo a
Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).No
mercado hospitalar, os medicamentos até 75 euros, como o Docetaxel,
usado em oncologia, e o cloreto de sódio, continuarão isentos de revisão
e acima desse valor deixará de existir qualquer travão à descida de
preçosNa lista de medicamentos essenciais,
ficarão isentos medicamentos com Azitromicina injetável
(antibacteriano) e o ácido valpróico (antiepilético).Rui
Santos Ivo explicou que a revisão anual de preços dos medicamentos é um
instrumento utilizado anualmente para “apoiar o controlo da despesa com
medicamentos e, ao mesmo tempo, atualizar o preço dos medicamentos à
luz dos países com os quais Portugal se compara: Espanha, França, Itália
e Bélgica”.Esta medida, vincou, reduz os
preços dos medicamentos, mas de forma controlada, garantindo que não
haja alterações disruptivas que comprometam a estabilidade do mercado.Ao
mesmo tempo, mantém condições para que a indústria farmacêutica
continue a investir em Portugal e permite o acesso à inovação
terapêutica, essencial tanto para os utentes quanto para o SNS,
salientou.Como aspetos mais importantes da
RAP, Rui Ivo apontou a disponibilidade dos medicamentos, afirmando que,
para isso, os medicamentos com preço mais baixo (até 30 euros), que
muitas vezes faltam, vão ficar isentos de aumentos, criando melhores
condições para a sua disponibilidade no mercado. Os
medicamentos com preço acima de 30 euros não terão os seus preços
comparados com a média praticada em Espanha, França, Itália e Bélgica,
adiantou, explicando que, caso o preço em Portugal seja mais elevado,
poderá ser reduzido, mas a diminuição máxima será de 20%. Relativamente
ao mercado hospitalar, Rui Ivo disse que os medicamentos acima dos 75
euros também são sujeitos à comparação com os quatro países de
referência, mas neste caso a comparação é feita com o preço mais baixo.Destacou
ainda que, em 2026, será mantida “a regra da isenção da revisão de
preços dos medicamentos genéricos e biossimilares no sentido de
propiciar condições de mercado que estimulem a entrada de novos
medicamentos genéricos e biossimilares com a consequente geração de
poupança quer para o bolso dos cidadãos quer para o SNS”.Segundo
o texto da portaria do Ministério da Saúde, a que a Lusa teve acesso,”o
processo de revisão anual de preços resulta em benefício para o Estado e
para os cidadãos, permitindo a sustentabilidade da despesa pública, a
redução da despesa para as pessoas e o combate à escassez de
medicamentos, razões que fundamentam a importância da adoção desta
medida”.O documento mantém para o ano de
2026 critérios excecionais a aplicar no regime de revisão de preços,
“atendendo à atual conjuntura económica nacional e internacional”, à
semelhança do que ocorreu este ano.