O caso da Maria Palhinha Cordeiro relembra que o AVC não escolhe idades
nem contextos. No dia 29 de outubro de 2025, Dia Mundial do AVC, o
Açoriano Oriental publicou uma reportagem sobre a importância da
sensibilização para esta condição, uma das principais causas de morte e
incapacidade em Portugal.Na altura, Raquel Senra, responsável pela
Unidade Cérebro Vascular do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES),
sublinhava que o AVC é uma emergência médica tempo-dependente. “Cada
minuto sem tratamento representa perda de tecido cerebral. A rapidez no
reconhecimento dos sintomas e no encaminhamento hospitalar é
determinante para o prognóstico”, afirmava.Para facilitar a
identificação dos sinais, a especialista resumiu-os nos “3 F’s”:
alteração da fala, desvio da face e perda de força num dos membros.
Perante qualquer um destes sinais, é crucial que o doente seja
encaminhado imediatamente para uma unidade hospitalar, contactando o 112
sem demora.Raquel Senra alertava também para a necessidade de
reforçar a prevenção, lembrando que muitos fatores de risco são
controláveis, incluindo hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia,
obesidade, tabagismo, sedentarismo e consumo excessivo de álcool. O
acompanhamento regular nos cuidados de saúde primários e a adoção de
estilos de vida saudáveis são medidas essenciais para reduzir a
incidência da doença.No HDES, os números evidenciam a crescente
dimensão do problema: em 2024, cerca de 300 pessoas foram internadas
devido a AVC, um aumento de 100 casos face a 2023, e nos primeiros oito
meses de 2025 registaram-se 208 internamentos, antecipando-se que o
total do ano pudesse ultrapassar o valor anterior. Desde abril de 2024, a
presença contínua de uma equipa médica dedicada no HDES tem permitido
diagnóstico e tratamento mais rápidos, contribuindo para melhores
desfechos clínicos.Após a confirmação do AVC, os doentes são
encaminhados para a Unidade Cérebro Vascular do HDES, onde recebem
tratamento individualizado e vigilância neurológica apertada. Cerca de
80 a 85% dos AVC são isquémicos e, em casos selecionados, podem ser
tratados com fibrinólise ou trombectomia mecânica.O Dia Mundial do
AVC, promovido internacionalmente pela World Stroke Organization, tem
como objetivo aumentar a literacia em saúde e incentivar comportamentos
preventivos. Em Portugal, os dados continuam a justificar campanhas de
informação e estratégias de intervenção precoce.