Média de alunos por computador já é mais baixo no público do que no privado
26 de jan. de 2023, 08:35
— Lusa/AO Online
Depois de uma
pandemia que obrigou as escolas a funcionarem à distância, o Governo
acelerou a transição digital na Educação e adquiriu cerca de um milhão
de computadores para distribuir pelos alunos.Segundo
o relatório “Estado da Educação 2021”, divulgado hoje pelo CNE, há dois
anos as escolas tinham já 628.610 computadores, entre os
estabelecimentos de ensino públicos e privados.Olhando
apenas para as escolas públicas, o número de equipamentos disponíveis
(562.571) mais do que duplicou face ao ano letivo anterior, quando o CNE
tinha contabilizado 236.322 computadores.O
reforço do parque informático foi tal que, a partir desse ano, a média
de alunos por computador passou a ser mais baixa no setor público do que
no privado, registando-se a maior diferença no 1.º ciclo, em que passou
a haver 1,8 alunos por computador (eram 5,8 em 2019/2020) nas escolas
públicas, contra 4,4 nos colégios.A
tendência repete-se em todos os ciclos e mesmo no secundário, onde a
diferença é menor, havia 2,1 alunos por computador no público, enquanto a
média era 2,8 no privado.No entanto, o
CNE refere que, para cumprir os objetivos de assegurar o acesso às
tecnologias digitais e à aquisição de competências, “não basta equipar
as escolas com computadores”, mas “importa também desenvolver abordagens
pedagógicas que promovam a aquisição de competências digitais e
experiências de aprendizagem ativas”.A propósito do parque informático das escolas, o relatório sublinha “uma enorme revolução” no ano letivo 2020/2021.“Enquanto
nos anos letivos precedentes os computadores de secretária, com mais de
três anos, constituíam a maior parte dos dispositivos informáticos, no
último ano os computadores portáteis passaram a ser os mais usados nas
escolas (61,2%), a maior parte dos quais (56,2%) com três ou menos
anos”, refere o CNE.Ainda no tema da
digitalização, o relatório aponta que o número de licenças resgatadas
para manuais escolares digitais cresceu 17% em 2021, registando-se um
aumento ainda maior, de 34%, no 2.º ciclo.“Este
valor é significativo, sobretudo se se considerar que o número de
alunos matriculados registou uma diminuição no mesmo período”, aponta o
CNE.Apesar dos avanços, o nível de
proficiência dos docentes em competências digitais ainda é baixo, alerta
o órgão consultivo do Ministério da Educação, que destaca os domínios
do ensino e aprendizagem, avaliação e promoção da competência digital
dos aprendentes.