Medalhada e campeã mundial Joana Santos quer voltar a subir ao pódio
Surdolímpicos
29 de abr. de 2022, 11:20
— Lusa/AO Online
“O
objetivo é ganhar sempre e o ouro é o objetivo principal, ainda não sei
quem vão ser as minhas adversárias, nem gosto muito de saber, deixo
essa parte para o meu treinador. Sei que tenho que me preparar no meu
máximo e depois se verá, a participação tem crescido muito e o nível
também, aparecem sempre atletas novas algumas muito fortes, outras mudam
de peso. Vou participar pela primeira vez na categoria de -57 kg, antes
participei nos -63 kg”, disse Joana Santos, em entrevista à agência
Lusa.A judoca de 32 anos, considera que o
facto de chegar aos Jogos que vão decorrer em Caxias do Sul, no Brasil,
com o estatuto de campeã mundial, conseguido em outubro passado na
cidade francesa de Versalhes, “traz uma responsabilidade acrescida”, que
será esquecida quando começarem os combates.“Há
alguma pressão por ser campeã do mundo, uma responsabilidade acrescida,
mas quando começar a competição esqueço-me completamente disso e tento
focar-me nos combates, um a um e tentar ganhar sempre”, afirmou.A
atleta, do Judo Clube do Algarve, garante que a preparação para os
Jogos Surdolímpicos “está a correr bem”, mas reconheceu que, tal como a
competição, adiada no ano passado, foi afetada pela pandemia de
covid-19.“A preparação está a correr bem,
também já tive o campeonato do mundo mais tarde, por isso estamos a
caminhar um pouco atrasados, mas tenho treinado sempre, todos os dias de
manhã e à tarde, mesmo na altura do confinamento consegui treinar quase
todos os dias, não me deslocava era para Coimbra, como faço agora quase
todas as semanas, pois divido-me entre os treinos em Faro, no meu clube
com o meu treinador, e Coimbra, com a seleção nacional”, referiu.Na
sua quarta participação em Jogos Surdolímpicos, Joana Santos quer
manter a tradição de conquistar medalhas, depois de ter sido alcançado o
ouro em Taipé2009, a prata em Sófia2013 e o bronze em 2017.Joana
Santos é a única mulher numa comitiva de 12 atletas, facto que não a
incomoda, mas que a deixa um pouco “triste”: “Gostava muito que outras
seguissem o meu exemplo e trabalhassem para isso ser possível, espero
que todas aquelas que não conseguem, mas que gostariam de o fazer sintam
orgulho em mim”.Licenciada em design de
comunicação, área na qual faz trabalhos pontuais, e com um filho de três
anos, Joana Santos divide o tempo entre o judo e a família, algo que
mudará depois da competição no Brasil.“Agora,
que estamos perto dos Jogos, é só mesmo o judo. Tenho de ter algum
tempo para a família, com um filho de três anos é preciso dar-lhe muita
atenção. Depois quando a competição terminar tenho de me dedicar mais a
sério ao mundo do trabalho na minha área se for possível”, afirma.A
judoca, que até há pouco tempo competiu na categoria -63 kg, na qual
foi bronze europeu em 2019 e ouro mundial em 2008, não antecipa os
objetivos pós Jogos Surdolímpicos: “Tenho viagem já marcada para Caxias
do Sul, sem querer esconder a vontade de ir ainda mais além e chegar a
Tóquio2025”.Nos Jogos Surdolímpicos Caxias
do Sul 2021, adiados no ano passado devido à pandemia de covid-19, são
esperados cerca de 4.500 atletas de 100 países para competirem nas 20
modalidades do calendário surdolímpico.Portugal,
que estará representado em seis modalidades, somará a sua oitava
participação portuguesa em Jogos Surdolímpicos, competição na qual já
conquistou 13 medalhas.O evento é
organizado pelo Comité Internacional de Desporto para Surdos (ICSD),
criado em 1924 e que em 1955 foi admitido pelo Comité Olímpico
Internacional como federação internacional.Para
participar nos Jogos, os atletas devem ter perdido 55 decibéis no seu
“ouvido melhor”, não sendo permitido o uso de quaisquer aparelhos ou
implantes auditivos.