Mecanismos reguladores contribuíram para Europa ter sido pilar de estabilidade
29 de set. de 2025, 10:49
— Lusa/AO Online
“Não podemos pedir estabilidade e
um caminho para a frente gradual e consciente e, ao mesmo tempo, tentar
encontrar disrupção e ondas que não se materializarão no que é a
Europa”, registou Mário Centeno na abertura de uma conferência sobre o
10.º aniversário do Mecanismo Único de Resolução.“A
Europa tem sido nos últimos anos o maior pilar e fornecedor de
estabilidade no mundo. Isto tem muito que ver com estas instituições que
hoje celebramos, porque as levamos a sério, porque as utilizamos cada
vez mais para assegurar estabilidade às nossas economias”, acrescentou.O
governador, que será substituído por Álvaro Santos Pereira dentro de
alguns dias, assinalou que a última década trouxe desafios como a
pandemia, choques geopolíticos, o risco cibernético e o surgimento de
ativos digitais e novos intervenientes.Nesse
sentido, defendeu que a Europa, como um todo, “deve deixar de estar
apenas focada na redução do risco para uma gestão do risco mais madura e
avançada".Para isso, e admitindo que
fazê-lo na Europa “nem sempre é fácil”, disse ser necessário que haja
confiança entre os Estados-membros, entre autoridades, nas instituições e
dos cidadãos de que o sistema financeiro “pode aguentar com crises sem
pôr em causa a estabilidade ou a justiça”.Assinalando
os progressos feitos na última década pelo setor bancário nacional –
como as melhorias dos indicadores de rendibilidade do ativo e redução do
crédito malparado –, Centeno sublinhou que Portugal foi dos países que
mais mostrou a necessidade destes mecanismos. “Somos
um dos países que experienciou mais e de forma mais intensa a razão
pela qual os mecanismos de resolução são tão importantes”, disse.No
entender do ainda governador do BdP, as conquistas do Mecanismo Único
de Resolução “não podem passar despercebidas” e nas vezes em que foi
chamado a intervir, “mostrou a habilidade para agir de forma rápida e
eficiente”.Ainda assim, Centeno considerou
que a estabilidade financeira “não pode ser tomada por garantida, em
especial nos atuais tempos de incerteza”.“Precisamos
de avançar e concertar esforços para continuar com a união bancária e
desenvolver o mercado de capitais da UE. São essenciais para um sistema
financeiro competitivo e integrado, bem como para canalizar as altas
poupanças dos europeus para investimentos produtivos na Europa”, disse. “Os
primeiros 10 anos do Mecanismo Único de Resolução mostraram o que é que
a Europa consegue quando age unida, com determinação e visão”,
concluiu.