Mau tempo no Mar Negro atrasa viagem do primeiro navio com cereais
Ucrânia
2 de ago. de 2022, 17:00
— Lusa/AO Online
O navio, ‘Razoni’, com
pavilhão da Serra Leoa, deixou segunda-feira o porto do sudeste
ucraniano, que deveria chegar hoje ao fim do dia à cidade turca, indicou
o contra-almirante Ozcan Altunkulak, coordenador do centro conjunto
criado para fiscalizar o envio dos cereais ucranianos.O
centro conjunto, que integra representantes russos, ucranianos, turcos e
das Nações Unidas, foi criado na sequência dos acordos separados com a
Ucrânia e com a Rússia para supervisionar o processo de exportação de
cereais, sementes e fertilizantes ucranianos e russos para tentar pôr
termo à crise alimentar global.Altunbulak
garantiu que os preparativos e o planeamento estão em curso para outros
navios que deixem os portos ucranianos, mas não avançou pormenores.O
acordo de 22 de julho sobre a exportação dos cereais por via marítima
permitiu criar corredores seguros através das águas minadas à saída dos
portos ucranianos.A situação no Mar Negro,
no entanto, continua tensa e o Presidente ucraniano, Volodymyr
Zelensky, pediu aos parceiros internacionais que estejam atentos ao
cumprimento do acordo por parte de Moscovo.Aguarda-se que ainda no decorrer desta semana mais navios saiam dos portos da Ucrânia pelos corredores seguros. Segundo
as autoridades ucranianas, 16 embarcações, todas bloqueadas desde a
invasão russa, a 24 de fevereiro, aguardam em Odessa autorização para
deixar o porto.A ofensiva militar lançada a
24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de cerca de 16
milhões de pessoas de suas casas – mais de seis milhões de deslocados
internos e quase dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os
mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados
como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.A
invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a
necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança
da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade
internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a
imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os
setores, da banca ao desporto.A ONU
confirmou que 5.237 civis morreram e 7.035 ficaram feridos na guerra,
que hoje entrou no seu 159.º dia, sublinhando que os números reais
deverão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a
zonas cercadas ou sob intensos combates.