Mau tempo e mão-de-obra condicionam plantação de batata em três ilhas
27 de mai. de 2025, 09:17
— Rafael Dutra
A área cultivada com batata do cedo, em abril deste ano, foi inferior à
do ano anterior em três ilhas dos Açores, nomeadamente Terceira,
Graciosa e São Jorge, devido, em parte, ao mau tempo, mas também à falta
de mão-de-obra, e ao “preço elevado da batata de semente”, segundo
informação divulgada pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores
(SREA).Conforme sustenta o gabinete de estatística regional, no
documento ‘Estado das culturas e previsão das colheitas’, relativo ao
mês de abril, o estado do tempo verificado durante o mês de abril
“permitiu alguma recuperação das pastagens”, tendo, no entanto, causado
“constrangimentos aos trabalhos de sementeira e plantação das culturas
da época”.O SREA refere, nesta publicação, que o mês de abril de
2025 foi mais frio que o normal, com a ocorrência de ventos por vezes
fortes, e precipitação relativamente frequente, com exceção da ilha de
Santa Maria, onde foi mais baixa.Nesse sentido, embora o estado do
tempo permitisse alguma melhoria do desenvolvimento vegetativo das
pastagens, acabou por causar alguns constrangimentos aos trabalhos de
sementeira e plantação das culturas da época.“As pastagens começaram
a recuperar do inverno e dos temporais do mês anterior, sobretudo as
pastagens situadas em zonas baixas e médias”, explica o SREA,
acrescentando, no entanto, que a produção de erva foi abaixo do habitual
para a época, com exceção das ilhas de São Miguel, Pico e Flores, onde o
seu desenvolvimento vegetativo se situou dentro do normal.No que
toca à área cultivada com batata do cedo esta foi inferior, em termos
homólogos, na Terceira, Graciosa e São Jorge, verificando-se uma redução
de área ainda maior do que inicialmente previsto.“Tal deveu-se,
essencialmente, ao estado do tempo, mas também a alguma desmotivação dos
produtores devido à falta de mão-de-obra”, indica o SREA, adiantando
que na Graciosa o preço elevado da batata de semente também teve uma
influência significativa na diminuição da área, e que nas restantes
ilhas espera-se que a área permaneça sensivelmente idêntica à cultivada
no ano anterior.Em relação às áreas semeadas com milho grão o
gabinete de estatística regional espera, numa primeira estimativa, uma
redução de área face ao ano anterior nas ilhas Terceira, São Jorge e
Pico.“A cultura do milho grão tem vindo gradualmente a perder área,
sendo uma cultura com pouca expressão na grande maioria das ilhas”, é
possível ler no documento. Já as áreas de milho forragem mantém-se
idênticas ao ano anterior, com exceção da ilha Terceira onde, numa
primeira estimativa, se situa nos 90% do ano passado.Tal deveu-se ao
estado do tempo, com precipitação frequente e relativamente abundante, o
que “dificultou os trabalhos de preparação das terras para a
implantação da cultura de milho”, realça o SREA.No que diz respeito à
cultura do inhame, esta teve uma produção “dentro dos parâmetros
considerados normais na maioria das ilha”, aponta o relatório,
justificando que foram verificados os valores mais baixos nas ilhas de
Santa Maria e Terceira, nomeadamente uma produção de 90% do normal.“Alguns
fatores relacionados com o maneio, tal como o cultivo em solos pouco
adequados, poderão ser a principal causa de uma produção mais baixa
nestas ilhas”, explana o documento consultado pelo Açoriano Oriental.