Marta Temido defende reforma e reforço de poder da OMS
Covid-19
26 de out. de 2020, 13:12
— Lusa/AO Online
“A covid-19 pôs o mundo em teste,
agora é altura de avançar para uma reforma substancial da OMS e os
aspetos financeiros e políticos são importantes. É tempo de a OMS ganhar
mais poder e tornar-se numa organização que responda às necessidades de
um mundo global, mas isso depende de todos os países”, disse a
governante, na participação por videoconferência na palestra “Reforçar o
papel da União Europeia na saúde global", na Cimeira Mundial de Saúde, a
decorrer em Berlim.Segundo Marta Temido, é
fundamental a existência de uma “perspetiva comum” para o futuro no
espaço da União Europeia (UE), relevando ainda a importância de aprender
com a pandemia e que “há espaço a nível global” para que os países
possam estar mais preparados para lidar com futuras crises sanitárias
internacionais.“Assim que a crise
pandémica termine, a OMS não poderá sofrer uma redução na sua capacidade
para agir”, notou, sublinhando: “A UE e os estados-membros podem e
devem ter um papel ativo no contexto desta reforma para uma ação mais
abrangente da OMS, nomeadamente em defesa da saúde como um direito
humano, apoiando a solidariedade global e um modelo de governação
assente no multilateralismo”.A defesa de
um papel de maior destaque da UE no setor foi uma constante nas
intervenções da ministra da Saúde, que adquiriram ainda um peso especial
pela futura presidência portuguesa a partir de janeiro de 2021.
Consequentemente, Marta Temido reconheceu a premência de uma maior
proatividade europeia e de uma “estratégia renovada de saúde global”,
que reflita o peso financeiro e político comunitário e permita novas
parcerias.“As expectativas são muito
altas. As mudanças no panorama da saúde mundial e no quadro geopolítico
da última década requerem que a UE reexamine a sua posição e o seu papel
na luta por objetivos globais de saúde. Como a OMS realçou, esses
objetivos de saúde globais são cobertura de saúde universal, emergências
sanitárias e maior bem-estar para todos”, frisou.Questionada
sobre os atuais maiores desafios na resposta à crise sanitária a nível
europeu, Marta Temido apontou a “implementação” de políticas e a sua
tradução em “soluções práticas” com real impacto na vida dos cidadãos.“A
grande preocupação neste momento é a implementação. Temos um consenso
generalizado para avançar, por isso temos de fazê-lo agora, com a
preocupação de não deixar ninguém para trás e o cuidado de ter boas
soluções para impulsionar a saúde a nível mundial. Este é o
foco: implementação e soluções práticas, que as pessoas sintam no seu
dia-a-dia, ou corremos o risco de falhar”, alertou.A
ministra da Saúde explicou ainda que a presidência portuguesa vai
procurar uma “abordagem interestrutural com vista a maximizar ganhos de
saúde”, através do esforço de adaptação dos “sistemas nacionais aos
desafios relacionados com a saúde e o ambiente”, além de reconhecer a
influência da saúde global na agenda para a segurança mundial. Por outro
lado, elencou ainda várias apostas para o primeiro semestre do próximo
ano.“Quanto à defesa da saúde e prevenção
de doenças, a presidência portuguesa vai ter especial atenção ao
lançamento de instrumentos destinados a promover saúde mental, literacia
em saúde e estilos de vida mais saudáveis”, referiu, sem deixar de
admitir que “nos próximos meses, a principal prioridade global vai
continuar a ser a necessidade de responder à pandemia de covid-19 e o
esforço para tentar tê-la sob controlo”.O
papel que Portugal pode ter na diplomacia em torno da saúde foi também
destacado pela sua presença na Comunidade de Países de Língua Portuguesa
(CPLP), que, segundo a ministra, coloca o país “numa posição
privilegiada” enquanto único estado-membro europeu na organização,
conferindo-lhe “uma maior responsabilidade como parceiro de discussão”,
em especial com os países do hemisfério sul.A
Cimeira Mundial da Saúde, iniciada no domingo, é organizada desde 2009
pela Alemanha, França, Comissão Europeia e OMS, e reúne virtualmente até
terça-feira centenas de políticos, académicos e representantes de
organizações internacionais e empresas.