Marta Temido admite “situação mais pesada e complexa” da pandemia
Covid-19
11 de jan. de 2021, 13:24
— Lusa/AO Online
“Estamos
numa situação mais pesada e complexa do que as duas anteriores que
passámos, mas estamos também num momento em que começamos a perspetivar
aquilo que serão os resultados da vacinação, que só se alcançarão num
prazo de vários meses. Mais um esforço adicional é indispensável para
ultrapassarmos esta fase”, afirmou a governante, em Lisboa, à saída de
uma reunião com a ‘taskforce’ constituída para a coordenação da
vacinação.O trabalho de identificação de
pessoas segundo a idade e respetivas comorbilidades continua em curso,
de acordo com a ministra, bem como a preparação de eventuais centros de
vacinação adicionais, com o intuito de acelerar o processo de vacinação.
A ministra acrescentou ainda que o país tem integrado todos os
processos europeus de aquisição de vacinas.“O
país já manifestou o seu interesse nas quantidades adicionais que foram
noticiadas e em outras que estão em discussão. Precisamos de continuar
com o nosso esforço conjunto de aquisição de mais quantidades e depois
completar o processo pela efetiva distribuição e administração”,
referiu, aludindo à reserva pela Comissão Europeia de mais 300 milhões
de doses, das quais Portugal teria direito a cerca de seis milhões,
sendo que já foi contratualizada a aquisição de 22 milhões de doses.O
crescimento exponencial do número de casos na última semana ficou
também marcado por um aumento do número de surtos em lares de idosos.
Questionada sobre os efeitos que essa situação está a ter no processo de
vacinação, Marta Temido admitiu uma corrida contra o tempo, já que as
estruturas onde se registam surtos ficam fora neste momento de
vacinação.“Até ao final da semana passada,
quando acabámos a administração das doses que tínhamos disponíveis,
tínhamos conseguido administrar vacinas em 165 estruturas residenciais
para idosos e unidades da rede de cuidados continuados integrados. Nos
casos onde há surtos, a vacinação é adiada e estamos, de facto, a correr
contra o aparecimento de surtos em estruturas deste tipo, tentando que
as pessoas se mantenham livres de doença até à vacinação”, frisou.No
entanto, a governante apelou a que as pessoas se mantenham seguras,
numa fase em que existe “uma enorme pressão sobre o sistema de saúde
devido aos novos casos”.O plano de
vacinação contra a covid-19 em Portugal começou em 27 de dezembro nos
hospitais, abrangendo os profissionais de saúde, e já se estendeu aos
lares de idosos.A primeira fase do plano,
até final de março, abrange também profissionais das forças armadas,
forças de segurança e serviços críticos. Nesta fase, serão igualmente
vacinadas, a partir de fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a
50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência
cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória
crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.A
segunda fase arranca a partir de abril e inclui pessoas de idade igual
ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos, inclusive, com
pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna
ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão
arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão
ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.Na
terceira fase, será vacinada a restante população, em data a
determinar. As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo
Serviço Nacional de Saúde (SNS).