Marrocos reforça segurança nos acessos a Ceuta para evitar nova vaga migratória
Migrações
1 de jun. de 2021, 16:23
— Lusa/AO Online
Citadas
pela agência espanhola EFE, testemunhas em Castillejos, cidade vizinha
de Ceuta, relataram que as autoridades de Marrocos avançaram com estas
medidas após a chegada na segunda-feira à localidade de dezenas de
adolescentes procedentes de outras zonas do país que pretendiam cruzar a
fronteira e entrar de forma irregular na cidade autónoma espanhola.As
mesmas fontes contaram que a polícia marroquina instalou um novo posto
de controlo no centro de Castillejos para impedir a aproximação dos
migrantes aos bairros localizados na zona norte daquela cidade, de onde
saem normalmente os grupos que tentam atravessar a fronteira.Forças
de segurança, nomeadamente unidades policiais, também estavam na
segunda-feira a condicionar o acesso de táxis e de autocarros à cidade
de Castillejos, indicaram à EFE as mesmas testemunhas, relatando ainda
um reforço expressivo do dispositivo de segurança junto às cercas
fronteiriças e às zonas florestais do lado marroquino da fronteira.Do
lado espanhol da fronteira que separa Marrocos e Ceuta, o ambiente era
hoje de manhã calmo, apesar de muitos migrantes continuarem a circular
na zona.Segundo a EFE, três cidadãos
marroquinos tentaram nadar hoje até uma das embarcações de passageiros
que fazem a viagem até Algeciras (Cádiz).Nos
dias 17 e 18 de maio, Ceuta, território espanhol no norte de Marrocos,
testemunhou um fluxo migratório sem precedentes, quando viu chegar mais
de 9.000 migrantes procedentes de Marrocos, na maioria cidadãos
marroquinos, mas também outros oriundos da África subsaariana.A situação gerou uma tensão diplomática entre Madrid e Rabat.Na
segunda-feira, a representante do Governo espanhol naquele território
confirmou que mais de 8.000 pessoas foram já devolvidas a Marrocos,
indicando, porém, que ainda permanecem em Ceuta cerca de mil migrantes,
muitos deles menores de idade e desacompanhados.Segundo Salvadora Mateos, Espanha está igualmente “a trabalhar” na repatriação dos migrantes menores.A
EFE noticiou hoje também que meia centena de cidadãos marroquinos, que
entraram na cidade autónoma espanhola de forma irregular nos dias 17 e
18 de maio, requereram asilo político esta terça-feira junto do Gabinete
de Asilo e Refugiados, situado na fronteira de Tarajal.Estas
pessoas recusam-se a regressar de forma voluntária para o território
marroquino e estão a viver nas ruas de Ceuta ou em zonas florestais nas
imediações da cidade.Devido à concentração
de muitas pessoas junto às instalações do Gabinete de Asilo e
Refugiados, incluindo de várias mulheres, a polícia local interveio e
organizou as pessoas em filas, segundo relatou a EFE.Depois da apresentação do pedido de asilo, os migrantes ficam a aguardar a análise das autoridades dos respetivos processos.