Marrocos reforça segurança em zonas próximas de Ceuta e Melilla
Migrações
Hoje 17:22
— Lusa/AO Online
Os serviços
de segurança marroquinos estão a intercetar diariamente pessoas que
pretendem migrar nas estradas que conduzem às zonas próximas de Ceuta e
Melilla, sendo devolvidas às cidades de origem, de acordo com a agência
de notícias espanhola EFE.A província de
Nador, limítrofe com Melilla, regista também um importante destacamento
das diferentes forças de segurança, tendo sido instalados controlos
policiais nos acessos à cidade homónima.O
presidente da secção da Associação Marroquina dos Direitos Humanos
(AMDH) em Nador, Said Haddad, denunciou que "a transferência de
migrantes da província de Nador é uma prática que vem ocorrendo desde
antes mesmo dos últimos acontecimentos". Haddad
acrescentou que existem "locais ilegais onde os jovens intercetados são
concentrados antes de serem transferidos para fora da província", uma
prática realizada diariamente e sobre a qual já tinham escrito ao
Ministério Público de Marrocos.O
responsável da AMDH salientou que as transferências forçadas para
cidades como Casablanca e Beni Melal não terminam no centro das cidades
de origem, mas sim a vários quilómetros de distância, "com o objetivo de
esgotar" os migrantes."Entretanto, as detenções e as operações de transferência para fora da província continuam ao longo de todo o dia", disse.Apesar
do forte destacamento policial, os apelos para tentar uma nova entrada
em massa em Ceuta e Melilla a 15 de agosto continuam a multiplicar-se
nas redes sociais marroquinas.Perante esta
situação, a Embaixada de Espanha em Marrocos voltou a divulgar uma
mensagem, nas redes sociais, a esclarecer que a entrada irregular em
Ceuta ou Melilla não confere o direito de permanecer em Espanha nem de
aceder ao resto da Europa."Qualquer informação em contrário é falsa", destacou. Na
segunda-feira, a Direção-Geral da Guarda Civil espanhola anunciou ter
suspendido as férias, licenças e dispensas dos agentes destacados nos
comandos de Ceuta e Melilla.Também o
Comando-Geral de Ceuta ordenou o cancelamento de todas as licenças dos
militares destacados na cidade autónoma a partir da próxima
quinta-feira.Cerca de 72.000 pessoas
entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de
África, em 24 horas no final de julho e 70.000 voltaram posteriormente a
Marrocos, segundo dados das autoridades de Espanha.Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.Ceuta,
um pequeno território de 80.000 habitantes que está localizado no
extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das
duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o
outro enclave espanhol de Melilla.