Marrocos diz ter alertado Espanha sobre decisão do Supremo espanhol
Migrações
Hoje 11:58
— Lusa/AO Online
Fonte do ministério marroquino sublinhou à EFE que a gestão migratória é "uma responsabilidade partilhada". "Marrocos
assume as suas responsabilidades (...). É um compromisso, não um
discurso político ou propaganda. (...) Marrocos não age sob pressões,
nem chantagem, nem como contrapartida", afirmou a fonte num encontro com
um grupo de agências de notícias internacionais. A
fonte marroquina referia-se à recente sentença do Tribunal Supremo
espanhol que indica que não se pode aplicar a "recusa na fronteira" ou a
"devolução rápida" a migrantes intercetados no mar quando estes tentam
entrar a nado em Ceuta e Melilla.A mesma
fonte sublinhou que a coordenação com Madrid continua a ser estreita,
acrescentando que o governo de Marrocos está "dececionado" com as
reações de alguns políticos espanhóis, que acusou de instrumentalizar a
crise por interesses eleitorais. A cidade
autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde
quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que
as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das
cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid.A
maioria dos migrantes regressou, entretanto, voluntariamente a
Marrocos, segundo o Ministério da Administração Interna espanhol. As
forças de segurança de Espanha estimam que cerca de 73.500 pessoas que
estavam ilegalmente em Ceuta deixaram a cidade desde quinta-feira,
número que pode incluir as que entraram na multidão que afluiu à
fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol entre quinta e
sexta-feira, e outras que já estavam desde dias anteriores em Ceuta,
cidade onde vivem pouco mais de 83.000 pessoas.Pelo
menos 71 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a
nado, segundo o mais recente balanço das autoridades. Ceuta,
um pequeno território situado no extremo norte de Marrocos, banhado
pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre
África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.