Mário Fortuna diz que os Açores “estão longe” de um resgate financeiro
Hoje 10:16
— Lusa/AO Online
“Temos
finanças públicas cada vez mais exigentes, cada vez mais
desequilibradas, mas longe de qualquer situação que justificasse um
resgate financeiro ou qualquer coisa drástica”, salientou o empresário,
durante uma audição parlamentar na Comissão de Economia da Assembleia
Legislativa dos Açores, reunida esta quinta-feira em Ponta Delgada.Mário
Fortuna fazia uma alusão às declarações de Francisco César que, em
entrevista ao jornal Público, disse que “há uma probabilidade” de ser
necessária “uma intervenção ou um financiamento permanente por parte do
Estado português” naquela região autónoma, devido ao desequilíbrio das
contas públicas regionais.O presidente do
PS/Açores, o maior partido da oposição na região, lembrou que as
empresas públicas “têm dificuldade em pagar salários” por culpa do
Governo Regional de coligação, que alegadamente não
cumpre os contratos-programa, mas Mário Fortuna lembra que qualquer
resgate financeiro implica sempre a perda da autonomia regional.“Não
é que o assunto não nos preocupe. Antes precaver do que remediar, mas
tenho dito sempre que, o que era preciso mesmo, era termos um quadro
financeiro plurianual, bem feito e bem fundamentado, para percebermos
onde é que estamos e para onde queremos ir, e sermos nós próprios a
tomar as decisões. Quando entramos na fase do resgate, perdemos
autonomia”, advertiu.O presidente do
executivo açoriano, o social-democrata José Manuel Bolieiro, admitiu
esta quarta-feira que a situação financeira da região "é complexa", mas
afastou a ideia de que os Açores necessitem de algum resgate financeiro,
garantindo que o Governo "está a fazer um esforço para controlar a
situação".Mário Fortuna foi ouvido pelos
deputados, enquanto representante da Universidade dos Açores, a
propósito de uma proposta da bancada do Chega, sobre a sustentabilidade
do setor público empresarial, que defende a extinção de vários
institutos, observatórios e empresas públicas regionais.O
antigo empresário admite que possam desaparecer alguns organismos, como
o Observatório de Turismo dos Açores, mas criticou, sobretudo, a falta
de apoio dos governos regional e nacional à Universidade dos Açores, que
considera estar a ser desprezada pelos sucessivos executivos.“A
Universidade dos Açores tem sido muito maltratada entre governos. É
inconcessível que a Universidade dos Açores não tenha enquadramento nos
quadros comunitários nacionais, e não tenha enquadramento nos quadros
comunitários regionais! Alguma coisa aqui está a falhar
grosseiramente!”, lamentou Mário Fortuna.Segundo
explicou, a falta de financiamento adequado à academia açoriana, tanto
na região como no continente, faz com que a Universidade dos Açores
esteja a enfrentar graves problemas decorrentes da falta de manutenção
dos seus edifícios.“Temos uma Universidade
com instalações degradadas porque não consegue aceder aos fundos
comunitários, como todas as outras universidades acedem. E acho que é de
uma irresponsabilidade total, quer da região, quer da República, não
resolver este problema a tempo e horas”, apontou Mário Fortuna,
lembrando que os quadros comunitários vão-se esgotando “e ninguém
resolve este problema”.