Fortuna diz que orçamento retificativo não deve ser tabu
28 de mar. de 2023, 18:49
— Lusa
“Há um pressuposto do orçamento
que foi alterado [com a redução do IVA]. Vai depender da evolução das
finanças públicas, mas não deve ser tabu. A conjuntura política não pode
sacrificar as populações, se é para o bem da população. Faça-se o que
for preciso fazer para que as pessoas não fiquem prejudicadas, a
economia e os empregos”, defendeu Mário Fortuna, que é também economista
e docente universitário.Mário Fortuna falava aos jornalistas no final da reunião de hoje, em Ponta Delgada, do Conselho Económico e Social dos Açores.O
responsável pelo tecido empresarial de São Miguel Santa Maria ressalvou
que a Madeira já anunciou que vai avançar com um orçamento
retificativo.O Governo aprovou na
segunda-feira, em Conselho de Ministros, a proposta de lei de redução do
IVA sobre os bens alimentares, que será agora submetida à apreciação do
Parlamento, divulgou a tutela.“No quadro
da estratégia refletida no Pacto para a estabilização e redução de
preços dos bens alimentares, em articulação com os setores da produção e
distribuição alimentar, o presente diploma procede à aplicação, por um
período de seis meses, de uma taxa zero de IVA num cabaz de bens
alimentares definido com base em critérios de saúde e padrões de consumo
das famílias em Portugal”, pode ler-se no comunicado do Conselho de
Ministros extraordinário.O líder da CCIPD,
no âmbito das suas declarações de hoje, referiu que a redução do IVA
“vai afetar os cofres da Região Autónoma dos Açores, obrigatoriamente,
porque o imposto é calculado a nível nacional”.“Se
há uma redução do IVA a nível nacional também há a nível regional”,
frisou, apontando que este imposto representa cerca de 45% das receitas
fiscais dos Açores.De acordo com o
economista, a redução do IVA anunciado pelo Governo da República “será
um contributo forçado e automático da região para este desiderato”, mas
estas “foram políticas algures no tempo também reivindicadas, e já se
sabia exatamente qual era o impacto que elas teriam no orçamento
regional”. O docente universitário
salvaguardou que “é evidente que esta redução vai incidir só sobre o
escalão mais baixo do IVA, sendo o impacto relativamente contido”.Ou seja, “não é algo que possa criar um rombo no orçamento dos Açores”.Os
Açores, no âmbito da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, beneficiam
de uma redução fiscal de IVA, IRS e IRC de cerca de 30% no contexto
nacional.