Maria Corina Machado quer justiça na investigação de crimes contra a humanidade na Venezuela
2 de dez. de 2024, 11:25
— Lusa/AO Online
“Hoje elevamos o
nosso clamor unânime perante o Tribunal Penal Internacional, onde já
apresentámos provas suficientes para que seja feita justiça. Em todas as
cidades do mundo onde há um venezuelano, protestamos para dizer uma
mensagem muito clara: TPI, atua agora”, apelou.O
pedido de Maria Corina Machado teve lugar num áudio divulgado nas redes
sociais, no dia em que venezuelanos radicados em diferentes países
realizam protestos para exigir justiça àquela instância judicial.Em
Madrid, mais de uma centena de emigrantes venezuelanos responderam ao
apelo de Corina Machado e foram para a rua defender Justiça, num
protesto que aconteceu também em Londres, onde estiveram cerca de 30
pessoas, de acordo com as agências de notícias internacionais.Sob
o lema “Justiça já! Liberdade já!”, os venezuelanos reuniram-se esta
manhã em frente aos Tribunais Reais de Justiça, no centro da capital
britânica, com as caras e as mãos pintadas de vermelho e com SOS
escrito. De acordo com uma porta-voz do
Comando ConVzla no Reino Unido, citado pela agência espanhola de
notícias, a EFE - que não quis que os seus dados pessoais aparecessem
por “questões de segurança” - o objetivo da manifestação era exigir
ajuda do TPI para interceder pela Venezuela e mostrar graficamente como o
líder chavista “pretende silenciar os venezuelanos através da
violência”. Em Madrid, o objetivo da
manifestação era o mesmo: "Estamos a pedir que o Tribunal Penal
Internacional, de uma vez por todas, faça justiça, que se apliquem as
medidas correspondentes para castigar os que cometeram crimes contra a
Humanidade", disse o opositor e antigo autarca de Caracas Antonio
Ledezma.O ex-líder autárquico acusou
Maduro de "execuções extrajudiciais" e da "detenção arbitrária de mais
de 17.600 pessoas, entre elas 790 menores", e mostrou-se indignado por a
investigação aberta em 2021 pelo TPI sobre a Venezuela, que evoluiu em
março para um inquérito sobre possíveis crimes contra a Humanidade, não
ter ainda um desfecho.Na mensagem em que
convocou as manifestações, Maria Corina Machado começou explicou que “é
indignante” a situação que estão a viver todos os venezuelanos.“O
regime deixou-nos sem água, sem eletricidade, sem saúde, sem educação,
sem justiça, sem as nossas famílias. Persegue todos só porque dizem a
verdade. Para onde havia luz, este regime trouxe literalmente a
escuridão […], mas a verdade é que ninguém nos pode obrigar a esta
humilhação. Ninguém. Nós temos a chave da mudança e em mais ninguém”,
afirmou.Por outro lado, referiu, hoje
começou “o tempo do advento, de preparação para a chegada do Natal, para
um novo nascimento do Menino Deus”, o que “significa a possibilidade de
um novo começo”.“Deus fez-nos livres e,
portanto, capazes de forjar o nosso próprio destino […]. Devemos
preparar-nos para derrubar os velhos muros que nos separam deste novo
tempo. Um tempo que já decretámos nas últimas eleições [presidenciais,
de 28 de julho], quando elegemos Edmundo González como nosso novo
Presidente”, sublinhou.A Venezuela
realizou eleições presidenciais em 28 de julho, após as quais o Conselho
Nacional Eleitoral atribuiu a vitória ao Presidente e recandidato
Nicolás Maduro, com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição
afirma que Edmundo González Urrutia obteve quase 70% dos votos.A
oposição venezuelana e muitos países denunciaram uma fraude eleitoral e
exigiram que sejam apresentadas as atas de votação para uma verificação
independente.Os resultados eleitorais
foram contestados nas ruas, com manifestações reprimidas pelas forças de
segurança, com o registo, segundo as autoridades, de mais de 2.400
detenções, 27 mortos e 192 feridos.O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela ainda não divulgou as atas do sufrágio desagregadas por assembleia de voto.