Marcelo vai sair como entrou, a pé, e deseja que Seguro seja "o melhor" dos presidentes
Hoje 17:26
— Lusa/AO Online
O chefe de Estado falava tendo
ao seu lado o primeiro-ministro, Luís Montenegro numa conversa em
registo informal com os jornalistas, na residência oficial de São Bento,
em Lisboa, depois de ter presidido a uma reunião do Conselho de
Ministros, quatro dias antes de cessar funções."Desejo
ao senhor Presidente António José Seguro, e já o disse duas vezes, as
maiores felicidades. Que seja muito feliz. E, se for possível, que
consiga ser o melhor de todos os presidentes da República", declarou.Marcelo
Rebelo de Sousa realçou a votação que o antigo secretário-geral do PS
obteve na segunda volta das presidenciais: "Tem um apoio tal e tem uma
esperança tal das pessoas atrás dele, que isso implica que seja
obrigação de todos os cidadãos – agora, já falo quase como cidadão –
desejarmos isso mesmo". O Presidente da
República cessante manifestou ainda a expectativa de que o seu sucessor
tenha "um bom relacionamento com o Governo e do Governo do senhor
Presidente da República". "Acho que era,
neste momento do mundo, e neste momento da Europa, neste momento do
país, depois da calamidade, acho que era o ideal para todos",
acrescentou.Interrogado sobre como pensa
que os portugueses o vão recordar, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que
não tem "a mínima ideia", mas realçou que, quando assumiu o
cargo, ponderou se deveria mudar a sua "maneira de ser", e decidiu que
não.Segundo o chefe de Estado, a decisão estava tomada quando subiu a rampa do Palácio de Belém, em 09 de março de 2016."Não
vou mudar, porque depois não fica nem carne nem peixe. Nem fica aquilo
que a pessoa é, nem aquilo que quer ser para vestir um facto
institucional e uma maneira de agir e de proceder, mesmo ritualmente,
que não é a sua maneira de ser", justificou."Agora, deu bem, deu mal. Umas vezes, porventura, deu melhor. Outras vezes, deu pior", comentou.Marcelo
Rebelo de Sousa recordou que "tinha chegado a pé" à Assembleia da
República, no dia em que tomou posse, e tenciona também "sair a pé,
claro", na próxima segunda-feira, 09 de março, dia da posse de António
José Seguro."Apesar de, teoricamente, o
ex-Presidente da República ter direito a automóvel, mas eu quero sair a
pé, vou ter com o meu automóvel", disse. Quanto
ao que irá fazer depois, reiterou que não vai ter qualquer forma de
intervenção política, defendeu que "deve-se saber sair de cena" sem
"meio-termo" e deu a entender que fez uma aposta com Luís Montenegro
sobre este assunto."O senhor
primeiro-ministro diz que vou perder a aposta, mas não vou perder a
aposta: é de facto, é mesmo o fecho da intervenção política", repetiu.O
Presidente admitiu que sair de cena "talvez seja a coisa mais difícil
do mundo, para todos, para os jogadores de futebol, para cantores, para
artistas, para interventores políticos, deve ser, talvez, o mais
difícil".A este propósito, sem nomear
ninguém, referiu: "Aprendi quantas vezes eu não agradeceria não
ter ex-presidentes da República a intervir na vida política"."Portanto,
eu agora tenho a obrigação de ter aprendido a lição, e no futuro o que
eu posso é desejar ao novo Presidente todas as felicidades, que merece,
por aquilo que é, pela vitória que teve e pelo percurso que teve. Mas,
precisamente, não empecilhar em relação ao Presidente da República, em
relação ao primeiro-ministro, em relação ao Governo, em relação à
Assembleia da República, com intervenções", sustentou.Marcelo Rebelo de Sousa deixou uma palavra de agradecimento à comunicação social.Sobre
as suas três dissoluções do parlamento, remeteu "o juízo definitivo"
para outros, mas argumentou que, com o voto, os portugueses "das três
vezes deram razão ao Presidente".