Marcelo tem criticado "cegueira" face às alterações climáticas e elogiado Portugal
23 de set. de 2019, 11:07
— Lusa/AO Online
Marcelo
Rebelo de Sousa, que vai intervir hoje, em Nova Iorque, na Cimeira da
Ação Climática convocada pelo secretário-geral da Organização das Nações
Unidas (ONU), António Guterres, tem apoiado a sua ação nesta matéria,
bem como as manifestações de estudantes por todo o mundo, subscrevendo o
lema de que "Não há planeta B".No dia 22 de
junho, dirigindo-se a um grupo de jovens ativistas, em Lisboa,
disse-lhes: "Eu já apoiei a ideia de uma declaração de estado de
emergência climática. Espero que seja aprovada brevemente".Embora
tenha afirmado na sexta-feira, em Viseu, que tenciona "continuar a
comer carne, nomeadamente carne de vaca", a propósito da decisão da
Universidade de Coimbra de retirar a carne de vaca das cantinas por
razões ambientais, o chefe de Estado apelou recentemente a "uma mudança
radical de hábitos de vida" pela preservação da Terra e da espécie
humana."Devemos perceber, de uma vez por
todas, que, em face de certos fenómenos, como as alterações climáticas e
o aquecimento global, a espécie humana encontra-se, ela própria,
ameaçada. Se nada fizermos, se nada mudarmos, a humanidade corre o risco
de extinção. Um risco que se apresenta num horizonte temporal cada vez
mais próximo", escreveu, no dia 05 de junho. Numa
mensagem para assinalar o Dia Mundial do Ambiente, Marcelo Rebelo de
Sousa defendeu que "é urgente mudar de vida" e que todos têm de
participar nessa mudança, combatendo "a dependência de fontes não
renováveis de energia, o desperdício alimentar e a produção desmedida de
lixo doméstico, o uso desmesurado de plásticos".Há
que combater o uso "de materiais poluentes e não recicláveis e de
recursos naturais finitos, com destaque para a água, o excesso de
produção de CO2, a manutenção de comportamentos que agridem a natureza e
os equilíbrios ecossistémicos", completou.O
Presidente da República referiu que "as previsões são cada vez mais
sombrias" e que "dados recentes vieram mostrar que o número de espécies
ameaçadas não cessa de crescer, na Europa e em todo o mundo"."É tempo, é mais que tempo, de tomarmos as decisões urgentes que se impõem", reforçou.Quando
o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados
Unidos iriam abandonar o Acordo de Paris, a meio de 2017, Marcelo Rebelo
de Sousa reagiu declarando que as alterações climáticas são uma
evidência que "se vai impor", mesmo que haja alguém que "se considere
importantíssimo no mundo que negue isso"."Há
coisas que são tão óbvias na vida. É como achar que se pode tapar o sol
com o dedo - o sol está lá e o dedo não tapa o sol", comparou.O
chefe de Estado, que falava nos Açores, no dia 01 de junho de 2017,
considerou que a Europa deve unir-se e "continuar a ser uma campeã desta
causa".Desde então, Marcelo Rebelo de
Sousa repetiu em diversas ocasiões críticas aos líderes mundiais que têm
um discurso de negação das alterações climáticas, e utilizou a
expressão "cegueira" para descrever o seu comportamento."A
questão das alterações climáticas não é uma mania, é uma questão
objetiva", afirmou, no dia 20 de maio deste ano, sublinhando "o
contraste entre o consenso existente no domínio versado na sociedade
portuguesa e a posição de decisores responsáveis a nível mundial que
teimam em não querer ver".No seu entender,
na sociedade portuguesa existe "uma grande coligação" quanto às
alterações climáticas, e as políticas seguidas por "vários governos"
denotam uma "grande confluência".Na
segunda edição do fórum "Uma Faixa, Uma Rota", em Pequim, num painel
sobre ambiente e desenvolvimento sustentável, no dia 27 de abril deste
ano, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o direito a um ambiente
saudável constitui um direito fundamental" e que "as alterações
climáticas são a questão decisiva" da atualidade."Passaram-se
três anos desde o Acordo de Paris que definiu um novo rumo para o
esforço global no combate às alterações climáticas. Mais do que nunca,
será preciso liderança forte e ambição política para implementar este
acordo histórico", declarou