Marcelo pede "espírito de concertação social" para "máximo consenso" sobre lei laboral
14 de nov. de 2025, 13:12
— Lusa/AO Online
Em resposta aos
jornalistas, à saída de uma iniciativa do Comité Olímpico de Portugal,
num restaurante em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que "a greve é
um direito" e defendeu que "mais importante é saber como é que se cria
um ambiente de concertação social".Segundo
o Presidente da República, é preciso concertação social "não tanto para
travar a greve" geral convocada por CGTP e UGT para 11 de dezembro, mas
"para encontrar um caminho relativamente à lei que vai ser debatida no
parlamento"."Penso que esse é que é o
grande objetivo e, nesse sentido, eu sempre fui defensor da concertação
social, com outro Governo, com este Governo, com leis as mais variadas,
as situações mais variadas, espero que haja espírito de concertação
social, haja espírito de diálogo entre os partidos e que se encontre uma
solução que seja aquela que corresponda ao máximo consenso possível",
afirmou. O chefe de Estado considerou que,
sendo a greve um direito, "a greve geral é um direito com maior
amplitude, porque reúne o maior número de trabalhadores ou o maior
número de confederações sindicais".Por
outro lado, voltou a salientar que o processo de revisão da legislação
laboral – lançado pelo Governo em julho através de um anteprojeto –
"ainda está longe da sua conclusão", porque "tem de ir à Assembleia da
República, tem de ir à concertação social"."O
Governo já disse que estava aberto a fazer conversações e negociações
sobre a matéria. Portanto, estamos a um mês da concretização da greve
geral e muito longe de poder entrar qualquer diploma na Assembleia da
República, porque a Assembleia está ocupada com o Orçamento do Estado
até o dia 28 de novembro", prosseguiu. "Logo,
há tempo para ponderar, conversar, debater na Concertação Social,
debater no parlamento, e veremos o que é que sai disso", concluiu
Marcelo Rebelo de Sousa.O Presidente da
República descreveu Portugal como um país que, "numa situação em que o
mundo não está bem", está "a tentar fazer um esforço para não
descarrilar" e regista "desemprego baixo" e "um crescimento económico
que é dos melhores da Europa".Tendo em
conta este contexto, "o fundamental é haver um estado de espírito não de
divisão, não de contraposição que bloqueie, mas de consenso e de
diálogo que aproxime", argumentou."Parece
que é o natural, quando as pessoas estão a fazer um caminho, que,
comparado com o que se passa na Europa e no mundo, tem aspetos
positivos, o que se deve fazer é: vamos lá ver como é que, neste
caminho, vamos chegando a acordo e não como é que chegamos a desacordo",
reforçou.Questionado sobre a atuação da
ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário
Palma Ramalho, o chefe de Estado escusou-se a fazer comentários: "Não
faz sentido. Nem dos partidos, nem dos líderes partidários do Governo ou
da oposição".Entre as alterações contidas
no anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral estão a
extensão da duração dos contratos a prazo, o regresso do banco de horas
individual, o fim do travão à contratação externa após despedimentos, a
revisão das licenças parentais e o reforço dos serviços mínimos
obrigatórios em caso de greve.