Marcelo pede convergência entre atores políticos e judiciários para mudanças na justiça
13 de jan. de 2025, 17:01
— Lusa/AO Online
Na
sessão solene de abertura do ano judicial, no Supremo Tribunal de
Justiça, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa apontou duas
possibilidades, "a ambição de um pacto de justiça", como propôs no
início do seu primeiro mandato, ou "de passos mais pequenos e por áreas
de maior urgência de intervenção".O chefe
de Estado questionou "qual será a decisão dos protagonistas políticos e
judiciários" e "quem tomará a iniciativa neste novo ciclo", se os
protagonistas judiciários ou os partidos políticos representados na
Assembleia da República e no Governo.Segundo
Marcelo Rebelo de Sousa, "uma e outra conhecem virtualidades e
limitações, pelo que o diálogo e convergência entre ambas se afigura ser
porventura a via mais promissora".No fim
da sua intervenção, o Presidente da República afirmou que "o tempo foge e
convida a que a Assembleia da República, Governo e protagonistas
judiciários não desperdicem esse tempo" e defendeu que se trata de um
"imperativo nacional" e até de "uma exigência nacional"."Se
assim for, ganham todos os intervenientes, e ganham sobretudo aqueles
que são a razão de ser da ação política: os portugueses. Ninguém ganha,
porém, com atraso após atraso", acrescentou.O
chefe de Estado invocou todos aqueles que "esperam, espera após
espera, tempo após tempo, e que acreditam que este novo ciclo oferece
possibilidades únicas de concretização da mudança na justiça", e pela
sua parte manifestou "uma esperança reforçada" de que isso venha a
acontecer.Em frente ao Supremo Tribunal e
Justiça decorria uma ação de protesto convocada pelo Sindicato dos
Funcionários Judiciais (SFJ), à qual também aderiu o Sindicato dos
Oficiais de Justiça (SOJ), contra a proposta de revisão estatutária
apresentada pelo Ministério da Justiça.No
seu discurso, o Presidente da República falou das "situações hoje mesmo
objeto de reparo público do outro lado da rua", recordando "há mais de
dois anos, num congresso de outros protagonistas judiciários, ter ouvido
garantir para breve a resolução daquilo que permanece inconclusivo". Esta
foi a primeira cerimónia de abertura do ano judicial realizada na atual
legislatura, na sequência das legislativas antecipadas de 10 de março
do ano passado, das quais resultou um Governo minoritário PSD/CDS-PP
chefiado por Luís Montenegro, depois de oito anos de governação do PS.Marcelo
Rebelo de Sousa referiu que se vive um "novo ciclo" com "novas
lideranças, na presidência da Assembleia da República, na chefia do
Governo, na presidência de três dos quatro tribunais superiores e dos
dois conselhos superiores, no Ministério da Justiça, na
Procuradoria-Geral da República"."Este
ciclo se abriu, nesta como noutras instâncias dos poderes públicos, e
até nas lideranças da oposição, permite uma oportunidade renovada, diria
mesmo única, para escolher no domínio da justiça mais passado ou mais
futuro", considerou.O Presidente da
República lembrou o pacto de justiça que propôs em 2016, com
"acolhimento amplo por parte dos protagonistas da justiça, que o
concluíram rapidamente, mas sucesso limitado nas decisões dos atores
político-legislativos".Para futuro,
admitiu, em alternativa, mudanças com "passos mais pequenos",
setoriais, e exemplificou: "Justiça administrativa, fiscal, económica,
financeira, criminal ou civil, da maior premência nos direitos, nos
procedimentos, no tempo, na comunicação, no sistema prisional e, desde
logo, acesso à justiça".O chefe de Estado
conta com a "égide inspiradora e porventura concatenadora" do presidente
da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, nesta matéria e
a todos assegurou o seu apoio, mas advertiu que contam também "com a
reforçada exigência dos portugueses".