Marcelo pede aos políticos que evitem medidas imediatistas prejudiciais para o mar e o ambiente
1 de ago. de 2025, 17:20
— Lusa/AO Online
Marcelo Rebelo de
Sousa visitou o Okeanos - Instituto de Investigação em Ciências do
Mar, na ilha do Faial, Açores, e, no final, em declarações aos
jornalistas, apelou aos responsáveis políticos para que, “por razões de
conjuntura”, não optem por medidas que “no imediato podem satisfazer o
grupo A, B, C, D, E” e que “depois são lesivas daquilo que é o
fundamental na preservação do ambiente”.“Peço
que não tomem medidas que desprotejam o mar, desprotejam as espécies,
desprotejam aquilo que é o trabalho destes investigadores, desta
Universidade dos Açores”, acrescentou o Presidente da República.Marcelo
enalteceu ainda a “liderança mundial” dos Açores em termos de
investigação em “alguns domínios da preservação da biodiversidade do
mar”, nomeadamente em mar profundo.Ao
longo da visita ao instituto da Universidade dos Açores, o Presidente da
República, além de conhecer o trabalho desenvolvido pelas várias
equipas de investigação, ouviu também relatos sobre a precariedade de
grande parte dos investigadores que desenvolvem a sua atividade no
Okeanos.Sobre essa precariedade, no final
da visita, Marcelo Rebelo de Sousa disse que era uma “questão muito
complexa” em que se contrapõem as posições de algumas universidades, com
investigadores com carreiras longas que “acabam por tapar vagas” novas,
e as de quem investiga, que “dedicam a vida toda” à espera de um “laço
estável, definitivo e estável”.“Havia
argumentos para um lado e argumentos para o outro. Tinha que se
compatibilizar a justiça relativamente àqueles que dedicaram uma vida à
investigação, e a justiça aos mais novos, que precisam de vagas para
subir e que deparam, em muitos casos, com a falta de meios e a falta de
lugares para poder investigar e vão-se embora. É esse equilíbrio que é
fundamental, disse.Marcelo disse que lhe
foi explicado que na área que visitou no Insituto de Investigação em
Ciências do Mar a “precariedade era de 80%”, um número que considerou
“muito elevado” para “quem dedica a sua vida a projetos de ponta e
fundamentais”.Para o Presidente, este é um
“desafio permanente” que o Governo enfrenta e “provavelmente o
equilíbrio será nem uma rigidez total que limite a mudança de gerações”
nem “uma falta de justiça relativamente a quem (...) deu anos de vida à
investigação” e, em algumas situações, “chega precário ao limite de
idade”.O Presidente da República cumpre o segundo de quatro dias da visita aos Açores, com uma deslocação à
ilha do Faial que será dedicada à investigação marinha e à importância
geoestratégica do mar.