Marcelo levou os abraços de mais de 10 milhões ao centro do país
Pedrógão Grande
26 de dez. de 2017, 07:01
— Lusa/AO Online
Beijos,
abraços e 'selfies' foram uma constante ao longo de todo o dia de ontem,
uma tradução dos pedidos que foi recebendo, nos últimos dias, para que
levasse "um abraço" ou "um beijo" às pessoas da região afetada."Houve
muitos que não mo disseram, mas pensaram e sentiram. O que estou aqui a
fazer é a cumprir essa missão", explicou Marcelo Rebelo de Sousa. Na
vila de Pedrógão Grande, fez-se fila dentro e fora da igreja matriz
para cumprimentar o Presidente da República. Em Figueiró dos Vinhos,
assistiu a um concerto da Orquestra Clássica do Centro e por Castanheira
alongou-se numa visita pela aldeia natal no centro da vila.Pelo
meio, almoçou com familiares das vítimas do incêndio e marcou presença
na inauguração da sede da associação, que transformou uma antiga escola
primária "singela" numa casa onde, de acordo com a presidente da
associação, Nádia Piazza, se vai procurar construir "o futuro". Na
ocasião, o discurso do Presidente da República foi também ele centrado
na reconstrução e na necessidade de se refazer a vida. Uma intervenção
toda ele feita com Bárbara, de sete anos, criança de Figueiró dos
Vinhos, ao seu lado, levantando-lhe as mãos sempre que falava de futuro.
"O futuro já começou aqui", notou mais tarde Marcelo Rebelo de Sousa.No
final da inauguração, houve tempo para abraços sentidos como os dados
por Telma e Flávio, mãe e filho, que enfrentaram as chamas nos
Troviscais, em Pedrógão Grande."Sabe bem saber que não se está esquecido", notou Flávio, de 14 anos.Por
Castanheira de Pera, os abraços e beijos repetiram-se, assim como os
votos de "Bom Natal", quando o Presidente da República entrou na Casa do
Pai Natal, apinhada de gente ansiosa por o ver, onde teve tempo para
dar um abraço longo ao Pai Natal de serviço, Alcides Simão Bernardo, que
perdeu a sua casa no incêndio.Durante
a visita, recebeu retratos de Matilde, de seis anos, e Margarida, de
dez anos, onde se podia ler "Marcelo, o nosso presidente", jogou
'mikado' e participou no concurso local de postais de Natal.Já
na rua, depois de passar pela pista de gelo e visitar a Oficina dos
Sonhos, chegou-lhe aos ouvidos de que havia comboio de Natal. "Há
comboio? Temos que andar de comboio" - dito e feito. Encafuado
numa carruagem bem acima da lotação, acompanhado de autarcas e
jornalistas, Marcelo cumpriu um passeio de cerca de 10 minutos pelas
ruas de Castanheira de Pera, atento às iluminações de Natal, monumentos e
locais turísticos da vila, uma viagem "completamente inédita" para o
Chefe de Estado. "Onde
é que eu pensava, às oito da noite do dia de Natal, estar a passear,
num comboio de Natal, com música de Natal, em Castanheira de Pera,
depois de ter passado por uma pista de gelo", frisou o Presidente da
República. Marcelo
destacou a ideia de "recriar e reimaginar e aproveitar para ser um
Natal virado para o futuro" num território atingido pelos incêndios de
junho. "Cheio
de miúdos, de jovens, é espetacular. Sobretudo se pensarmos naquilo que
foi vivido há seis meses, esta capacidade de reconstrução e imaginação
para o futuro", declarou o PR. No
fim da viagem, o Presidente da República percorreu, a pé, algumas
centenas de metros até ao quartel dos bombeiros voluntários locais -
trajeto que incluiu uma volta num carrossel infantil montado numa moto
da polícia - para ver de perto lojas abertas ao público e casas
iluminadas, naquilo que definiu como "um esforço coletivo que demonstra
um espírito comunitário muito forte ".No
final da visita, Marcelo Rebelo de Sousa ficou com a sensação de que as
populações "estão com um ânimo excecional", sentimento que está
presente "na cabeça e no coração das pessoas.