Marcelo lamenta falta de peso geopolítico da Europa que não foi informada sobre ofensiva israelita
Médio Oriente
13 de jun. de 2025, 17:29
— Lusa/AO Online
“O
problema é que a Europa precisa de mais peso militar, para poder
aumentar o seu peso geopolítico. O Sr. Netanyahu comunicou ao Presidente
Trump que ia atacar. Não foi para nenhum dos líderes da Europa”,
referiu o chefe de estado à margem de uma visita à Feira Nacional da
Agricultura, em Santarém.Marcelo alertou
para a necessidade de a União Europeia reforçar a sua capacidade de
defesa e segurança, face a um contexto internacional marcado por
instabilidade e "decisões unilaterais de potências globais". “A
Europa não pode manifestar muito mais do que preocupação se não tiver
poder militar”, afirmou, defendendo um aumento faseado do investimento
na área da Defesa, de 2% para 5% do PIB, com o objetivo de garantir
maior peso político e estratégico à União.O
chefe de Estado considerou prudente a decisão da Comissão Europeia de
permitir uma derrogação orçamental temporária para acomodar este
esforço, mas advertiu que será necessário garantir que os fundos
tradicionais da União não sejam sacrificados.Sobre
o ataque de Israel contra o Irão com bombardeamentos a instalações
militares e nucleares que mataram vários altos oficiais iranianos, bem
como cientistas e outros civis, Marcelo Rebelo de Sousa classificou a
ação militar israelita como uma “demonstração de poder” com vários
objetivos estratégicos, entre eles travar o programa nuclear iraniano,
enfraquecer a liderança militar do país e condicionar negociações
internacionais.“Israel, com esta atuação,
consegue vários objetivos ao mesmo tempo”, afirmou Marcelo Rebelo de
Sousa, destacando ainda que a ofensiva serve para “desviar a atenção da
questão palestiniana”.Confrontado com o
aumento de episódios de violência em Portugal, incluindo um ataque
recente a um ator de teatro por um grupo neonazi, o chefe de Estado
alertou para a influência do clima internacional de guerra e
instabilidade.“Estamos a assistir,
infelizmente, a uma normalização da violência, mesmo em países
tradicionalmente pacíficos”, afirmou, acrescentando que “Portugal ainda
é, felizmente, muito diferente daquilo que vemos à nossa volta”.Marcelo
Rebelo de Sousa defendeu que a paz e a democracia se constroem
diariamente e apelou aos atores políticos para que promovam a
estabilidade e evitem alimentar a conflitualidade.“A democracia verdadeiramente estável é uma democracia pacífica”, afirmou.Depois
de ter sido Homenageado pela Confederação de Agricultores de Portugal
(CAP) no inicio da visita, o Presidente da República alertou também para
os riscos na proposta de um “envelope único” para os fundos europeus
destinados à agricultura.O chefe de Estado
sublinhou que a proposta de concentrar os apoios num único pacote pode
ser “burocraticamente fácil, mas substancialmente injusta”, por não
refletir as diferentes realidades dos Estados-membros.“Meter tudo no mesmo envelope não é uma boa ideia”, referiu.Marcelo considerou esta uma “luta europeia” que Portugal deve travar com aliados, incluindo outros países e federações do setor.O
Presidente destacou ainda a presença de um comissário europeu na feira,
o que não acontecia há uma década, como sinal de empenho e
solidariedade da União Europeia com o setor agrícola português.Marcelo
Rebelo de Sousa classificou o próximo ano como “decisivo” para o futuro
da política agrícola europeia, sublinhando que a discussão do novo
quadro financeiro plurianual será “a questão” central para Portugal e
para a Europa.“Estamos a falar em
questionar uma política que tem décadas. Mudou, mas continua a ser
essencial”, afirmou, apelando à mobilização do setor e à ação política
para garantir uma solução equilibrada.