Marcelo junta "Jornalistas no Palácio" à conversa com alunos a partir de 3.ª feira
22 de out. de 2018, 09:46
— Lusa/AO Online
O
chefe de Estado, que anteriormente promoveu iniciativas com um formato
semelhante com escritores e cientistas, para valorizar a leitura e a
formação científica, lança agora o programa "Jornalistas no Palácio",
dando destaque a um setor que considera essencial para a democracia
portuguesa, disse à Lusa fonte da Presidência da República.Marcelo
Rebelo de Sousa esteve desde jovem ligado à comunicação social, como
articulista, em cargos de direção ou como comentador, e enquanto
Presidente da República tem expressado preocupação com as dificuldades
do jornalismo em Portugal. Em janeiro de 2017, foi ao 4.º Congresso dos
Jornalistas pedir-lhes que não desanimem e sejam "um anti-poder".O
programa "Jornalistas no Palácio" contará com a participação de José
Alberto Carvalho, da TVI, Aura Miguel, da Rádio Renascença, Fátima
Campos Ferreira, da RTP, e de Maria Flor Pedroso, que recentemente
transitou da Antena 1 para assumir as funções de diretora na RTP.Fernando
Alves, da TSF, Rodrigo Guedes de Carvalho, da SIC, Manuel Carvalho, do
Público, Eduardo Dâmaso, da Sábado, e Mafalda Anjos, da Visão, completam
o leque de nove participantes que irão conversar com estudantes de
vários pontos do país, com tema à escolha dos jornalistas. Os
alunos virão de concelhos do sul ao norte e do litoral ao interior,
como Lagoa, Figueira da Foz, Barreiro, Portalegre, Mação e Porto, entre
outros. O Presidente da República estará presente quando a agenda o
permitir.No
seu primeiro ano de mandato, na entrega dos Prémios Gazeta, o chefe de
Estado elogiou a "resistência" do jornalismo português numa conjuntura
económica e financeira que descreveu como "particularmente difícil no
mundo dos meios de comunicação social clássicos".Na
altura, novembro de 2016, manifestou "uma enorme saudade" dos tempos em
que escreveu o primeiro artigo para a imprensa escrita, em 1965, de
quando iniciou "a aventura do Expresso", em 1972, e de quando esteve na
rádio e na televisão como comentador."Nunca
tendo sido jornalista, acompanhei por dentro o que era ser-se
jornalista. Não tive o talento de ser jornalista, mas estive muito
próximo de quem demonstrou esse talento", afirmou. Um
ano mais tarde, na mesma cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa pintou com
"cores escuras" o panorama do jornalismo português, considerando que o
panorama se tinha agravado desde então. "Saímos
da crise das finanças públicas, ou estamos a sair, crescemos mais do
que esperávamos, o emprego aumentou, mas mais alguns jornais morreram,
ou sofreram agruras para sobreviver, jornalistas foram despedidos, as
tiragens mirraram até valores inimagináveis, as rádios conheceram
limitações enormes na sua viabilidade quotidiana, as televisões, elas
próprias, enfrentam desafios muito complexos", descreveu, em novembro de
2017.Marcelo
Rebelo de Sousa agradeceu a todos os que, "heroicamente, porque o
heroísmo também se faz com a pena, a palavra e a imagem, teimam em
manter viva e prestigiada a liberdade de imprensa em dias de aperto ou
mesmo de sufoco".O
Presidente lembrou as suas "cinco décadas de acompanhamento próximo" do
jornalismo, desde 1965, como "articulista, colaborador permanente,
gestor, subdiretor, diretor adjunto, diretor, na imprensa" - no Expresso
e no Semanário - e como comentador na rádio e na televisão.Dirigindo-se
aos jornalistas, acrescentou: "É crucial que a nossa democracia se
revitalize, se rejuvenesça, se enriqueça, se qualifique, e tal só é
possível com o vosso contributo decisivo".