Marcelo diz que História de Portugal e protocolos justificam três dias de luto
Isabel II
19 de set. de 2022, 08:44
— Lusa/AO Online
"Há
um certo protocolo nas relações entre Estados e tinha havido um luto,
por exemplo, pela morte do imperador do Japão de três dias" ou por
"vários chefes de Estado importantes, mas não tão importantes em termos
de História de Portugal", disse Marcelo Rebelo de Sousa, em Londres.Para
o Presidente da República, Isabel II, que morreu em 08 de setembro,
"representava seis séculos e meio de história" e o país que representa
"muita" da independência portuguesa."Foi
uma homenagem não apenas a Sua Majestade a Rainha Isabel II, mas ao
papel histórico em momentos cruciais do Reino Unido. Primeiro da
Inglaterra, depois do Reino Unido, trabalhando pela nossa independência
no século XIV, voltando a trabalhar no século XVII. Uma parte da nossa
independência deve-se a este país", disse Marcelo Rebelo de Sousa, em
resposta a perguntas de jornalistas, na residência oficial do embaixador
português em Londres.O Presidente
português lembrou que Portugal e a Inglaterra têm uma aliança
diplomática que cumpre 650 anos em 2023 e é "a mais antiga aliança
portuguesa e, porventura, uma das mais antigas, se não a mais antiga,
também do Reino Unido", mesmo que ao longo da história tenha havido
"momentos difíceis" nas relações entre os dois países.A
este propósito deu o exemplo do "momento infeliz" do ultimato inglês a
Portugal, em 1890, e de quando Portugal reconheceu e apoiou os Estados
Unidos da América, que declararam a independência no século XVIII,
"contra o aliado tradicional".Marcelo
Rebelo de Sousa chegou hoje a Londres para estar presente no funeral de
Estado de Isabel II, que se realiza na segunda-feira e reúne mais de
2.000 convidados, entre chefes de Estado e de Governo, membros de
famílias reais e outras personalidades.Antes
de falar aos jornalistas, o Presidente da República esteve no palácio
de Westminster, onde passou pelo salão em que está, em câmara ardente, a
urna com Isabel II, assinou o livro de condolências e esteve numa
receção em Buckingham do novo monarca britânico, Carlos III, aos chefes
de Estado e de Governo que estão em Londres para o funeral.O
Presidente disse ter deixado por escrito e depois ter transmitido
pessoalmente a Carlos III, "em nome do povo português", "o pêsame, a dor
com que Portugal acompanhou este momento, vibrando com o povo
britânico, vibrando com o Reino Unido", num reconhecimento "de gratidão e
de admiração" por Isabel II "pela sua coragem, pelo seu sentido de
Estado, pelo conhecimento das pessoas, a sabedoria, a experiência, a
estabilidade, a afabilidade com que viveu períodos sucessivos e difíceis
da história do mundo"."Recordei nessa
mensagem a nossa aliança, que vai celebrar para o ano 650 anos" e "as
visitas de Estado da Rainha Isabel II, em 1957 e 1985, inesquecíveis",
disse Marcelo Rebelo de Sousa, que contou que Carlos III teve "uma
reação muito, muito expressiva" e respondeu de imediato que "a data [da
aliança luso-inglesa] se celebra agora", por saber que tinha dado o
patrocínio para as celebrações, ainda como príncipe de Gales."Veio
à sua memória imediatamente e, sendo cumprimentos que não eram formais,
numa receção com centenas de chefes de Estado e chefes de Governo, foi
muito, muito significativo", acrescentou.Depois
de ter estado na receção oferecida por Carlos III aos líderes
internacionais, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que este é um momento
único e que não se lembra, nem mesmo nas Nações Unidas, de estarem
tantos chefes de Estado "simultaneamente juntos", como está a acontecer
em Londres, hoje e na segunda-feira, por causa do funeral de Isabel II."É evidente que praticamente todos os grandes problemas do mundo foram ali tratados", disse o Presidente português.O
chefe de Estado disse ainda que está em Londres numa deslocação “muito
específica para um tema muito pesado" e que optou por deixar o seu "lado
mais lúdico, mais leve, de parte", sem contactos com a população nas
ruas ou outras iniciativas, por entender que "há limites para a
heterodoxia"."Esta é uma daquelas
situações em que tem que haver limites para a heterodoxia", afirmou o
Presidente, sublinhando que fez o mesmo recentemente em Angola, quando
esteve em Luanda para as cerimónias fúnebres do ex-presidente angolano
José Eduardo dos Santos.O funeral da
rainha Isabel II de Inglaterra será a maior operação de segurança de
sempre em Londres, com a maior reunião de líderes mundiais em décadas e,
num dia que será feriado nacional, a previsão de enormes multidões nas
ruas.Isabel II morreu em 08 de setembro
aos 96 anos no Castelo de Balmoral, na Escócia, após mais de 70 anos no
trono, o mais longo reinado da história do Reino Unido.