Marcelo devolve nova Lei do Mar ao parlamento para clarificação
11 de ago. de 2020, 09:15
— Lusa/AO Online
Em nota no sítio da Internet da Presidência da
República, lê-se que Marcelo Rebelo de Sousa “devolveu, sem promulgação
o decreto sobre a primeira alteração à Lei n.º 17/2014, de 10 de abril,
que estabelece as Bases da Política de Ordenamento e de Gestão do
Espaço Marítimo Nacional".O chefe de
Estado considerou não existirem "razões suficientes" para enviar o
diploma para fiscalização preventiva junto do Tribunal Constitucional
porque é ressalvada “a primazia da integridade e da soberania do
Estado”, bastando dois aditamentos à legislação em causa.Porém,
Rebelo de Sousa entendeu “dever merecer reflexão complementar e
precisão acrescida" os pontos "respeitantes a poderes secundários,
pacificamente entendidos como delegáveis”.Por
outro lado, ganhar-se-ia "em exigir que os procedimentos de codecisão
constem – ao menos no seu traçado essencial – dos instrumentos de
ordenamento previstos no n.º 3 do artigo 8.º, assim garantindo a
conjugação entre Estado e regiões autónomas na definição desse traçado”,
aconselhou o Presidente da República.Marcelo
Rebelo de Sousa defende ainda que “será importante ressalvar as
matérias relativas à integridade e soberania do Estado, mediante
aditamento final”, segundo a carta enviada ao Presidente da Assembleia
da República.A nova Lei do Mar foi
aprovada em 23 de julho, com os votos a favor de PS, PAN e Iniciativa
Liberal e as abstenções do PSD, BE, PCP, CDS, “Os Verdes” e Chega.Outros
12 deputados socialistas, incluindo a ex-ministra do Mar, Ana Paula
Vitorino, assinaram uma declaração de voto, apelando ao veto
presidencial da proposta que partiu da Assembleia Legislativa Regional
dos Açores.Segundo aqueles deputados a
mesma "enferma de vícios de natureza política e jurídica" ao criar "uma
fratura na soberania nacional, estabelecendo "um conceito específico de
território autónomo que transforma o mar português, em matéria de
ordenamento e gestão, num somatório de três espaços marítimos, o dos
Açores, o da Madeira e o do continente".Ascenso
Simões, Jorge Lacão, Marcos Perestrello, Pedro Bacelar de Vasconcelos,
Pedro Cegonho, Sérgio Sousa Pinto, José Magalhães, Rosário Gamboa,
Alexandre Quintanilha, Jorge Gomes e Bruno Aragão foram os parlamentares
do PS signatários do texto.No mesmo dia, o
presidente do Governo dos Açores classificou o “sim” do parlamento ao
articulado como "histórico" para as regiões autónomas e o país no seu
todo."Este é verdadeiramente um dia
histórico para os Açores, por vários motivos, para as regiões autónomas
em geral e para o nosso país. Aquilo que esta lei consagra não é mais
nem menos do que a concretização de um princípio que está inscrito desde
2009 no estatuto político-administrativo dos Açores, quando se refere à
gestão partilhada em relação ao mar", declarou Vasco Cordeiro.