Marcelo defende que Portugal deve aproveitar excedente orçamental para pagar dívida
11 de dez. de 2019, 17:28
— Lusa/AO Online
"É
um ponto de viragem e é bom que os portugueses percebam porque é que é
importante haver mais receitas do que despesas pela primeira vez em
muitas décadas. É que isso vai permitir acelerar o pagamento da nossa
dívida. Não temos estado a diminuir a dívida, que é uma das maiores da
Europa, ao ritmo desejável. Isto significa Portugal subir na cotação
internacional e juros impostos a descerem e todos nós beneficiarmos com
isso", disse Marcelo Rebelo de Sousa.Após
uma ronda de encontros com os partidos representados na Assembleia da
República, o secretário de Estado dos assuntos Parlamentares, Duarte
Cordeiro, descreveu um "cenário macroeconómico em linha com o que foi
apresentado no programa de Governo e com o cenário de políticas
invariantes enviado em 15 de outubro para Bruxelas", designadamente a
"estabilização do crescimento económico em 2% e um saldo orçamental de
0,2% do Produto Interno Bruto (PIB)", em "continuação da convergência
com a União Europeia".O Conselho de
Ministros reúne-se no sábado para aprovar a proposta de Orçamento do
Estado para 2020, diploma que será entregue na Assembleia da República
na segunda-feira, disse à agência Lusa fonte do executivo.No
cenário macroeconómico que apresentou aos partidos, o Governo prevê um
excedente orçamental de 0,2% e um crescimento de 2% para 2020, mantendo o
executivo uma previsão de défice de 0,1% para este ano.Convidado
a comentar estes números, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que Portugal
tem "muitas necessidades" a cobrir, nomeadamente, na saúde, educação,
segurança, infraestruturas e comunicações, mas frisou que "querer poupar
por poupar não é uma mania."Esta é uma
oportunidade única de inverter a situação da nossa divida pública
perante o exterior", referiu o chefe de Estado, que falava aos
jornalistas, na reitoria da Universidade do Porto (UPorto), à margem da
cerimónia de atribuição do título de Doutor Honoris Causa ao escritor
portuense Mário Cláudio.O Presidente da
República disse, ainda, que "há expectativas de que este ano, quando o
orçamento é melhor, haja mais investimentos na saúde, infraestruturas e
segurança", apontando esta melhoria como uma espécie de compensação face
a anos anteriores."É expectável que em
geral o investimento público - que sofreu tanto antes porque sofreu -
seja compensado ao menos numa parte no próximo ano e nos anos seguintes
se a economia mundial e europeia o permitir", concluiu.