Marcelo defende que houve "estabilidade apreciável" em Portugal nos seus mandatos
29 de set. de 2025, 10:35
— Lusa/AO Online
Marcelo Rebelo de Sousa assumiu
esta posição em declarações aos jornalistas durante a oitava e última
Festa do Livro no Palácio de Belém, em Lisboa, quando fazia um balanço
desta iniciativa, a propósito das críticas que lhe foram dirigidas por
António Sampaio da Nóvoa em entrevista ao Jornal de Notícias e à TSF.Questionado
sobre as críticas pelas "três bombas atómicas" nos seus mandatos, que
Sampaio da Nóvoa qualificou como "uma violência democrática
absolutamente imensa" que foi "pasto fértil para estes populismos", o
chefe de Estado começou por expressar admiração pelo antigo candidato
presidencial, seu adversário em 2016."Eu
não costumo comentar figuras da vida política portuguesa, e muito menos
uma pessoa que eu admiro muito, que ainda por cima foi meu adversário há
dez anos, e que eu admiro e que acho que tem perfil para poder ser
Presidente da República. Depois não quis candidatar-se mais, mas tinha
perfil", considerou.Depois, Marcelo Rebelo
de Sousa falou das suas três dissoluções, justificando-as uma por uma,
comparou a situação política portuguesa dos últimos anos com as de
outros países europeus e assinalou o tempo de convivência que teve com o
anterior primeiro-ministro, António Costa."Portugal
tem tido uma estabilidade apreciável, porque em dez anos teve
verdadeiramente dois primeiros-ministros, um dos quais oito anos e
meio. É uma apreciável estabilidade", defendeu.O
Presidente da República referiu que "foi possível haver uma coabitação
de um Governo [do PS] o mais à esquerda da democracia portuguesa depois
da revolução com um Presidente de direita", frisou que conviveu com o
mesmo primeiro-ministro "durante oito anos e meio", e comentou: "Se isto
não é estabilidade, não sei o que é estabilidade".Esse
período de governação do PS decorreu "com uma pandemia pelo meio, com
uma guerra pelo meio, com crise económica pelo meio" e seguiram-se "dois
anos e tal de convivência" com a atual governação PSD/CDS-PP chefiada
por Luís Montenegro, prosseguiu.No seu
entender, "os sistemas políticos estão todos muito em crise,
nomeadamente os europeus, e Portugal tem aguentado mais do que a
generalidade dos sistemas políticos europeus".Quanto
ao seu papel nos últimos nove anos e meio, em que decretou três
dissoluções do parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa disse: "É natural que
quem discorda de mim, sempre discordou e discordará entenda que eu
sou responsável por isso"."Fez-se o que se pode, ninguém é perfeito, mas era muito difícil", acrescentou.Sobre
a sua primeira dissolução, justificou: "Aconteceu, pura e simplesmente
contra minha vontade, porque foi chumbado o Orçamento [para 2022] e
porque não havia maneira de votar outro Orçamento em tempo útil".Segundo
o chefe de Estado, os portugueses deram-lhe razão, "quando deram
maioria absoluta a um partido", o PS, concordando que "aquela situação
era instável"."A segunda dissolução ocorre
depois de um facto que eu não pude controlar, que é a vontade do
primeiro-ministro [António Costa], por razões que explicou e que eu
respeitei, de entender que eu não tinha condições para continuar e
querer sair, e queria sair ao mesmo tempo da liderança do partido",
apontou.Marcelo Rebelo de Sousa argumentou
que "era um bocadinho difícil que pudesse ser primeiro-ministro alguém
que não era do partido", que além do mais viria entretanto a ter "um
líder diferente".Na sua opinião, também aí
os portugueses "deram razão" ao Presidente, "na medida em que
escolheram uma solução diferente", considerando que "30 anos era de mais
de um determinado partido"."E a terceira
foi totalmente alheia à minha vontade, totalmente, porque aí foi uma
escolha do primeiro-ministro [Luís Montenegro]. E eu tive conhecimento,
como os portugueses todos, dessa escolha. Entendia que devia reforçar a
sua maioria", enquadrou. "E os portugueses
reforçaram. Portanto, aí não me deram razão a mim, deram razão ao
primeiro-ministro. Eu a terceira, supondo que é uma bomba atómica, não
me pode ser atribuída minimamente", sustentou.