Marcelo defende mudança da matriz de risco face à crescente taxa de imunidade
Covid-19
26 de mai. de 2021, 12:59
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas, após visitar uma exposição no Museu das
Artes de Sintra, no distrito de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a
assinalar que os novos casos de infeção já não se estão a projetar em
números de internamentos, cuidados intensivos e mortes como
anteriormente.Questionado se considera que
este é o momento para criar uma nova matriz de risco, que não tenha
apenas em conta o índice de transmissão e a incidência de novos casos
por 100 mil habitantes, o chefe de Estado respondeu: "Eu sempre achei
isso, mas sempre respeitei a opinião dos especialistas e a decisão do
Governo"."Aparentemente, há especialistas
que, de forma crescente, dizem que é preciso ir começando a repensar, e o
Governo também já disse que é preciso estudar e repensar. Por uma razão
muito simples: o mundo vai abrir, nós vamos regressando a uma atividade
mais normal, mais cedo ou mais tarde", referiu.Segundo
o Presidente da República, é expectável, "pela circulação das pessoas
que vêm de vários espaços, um aumento do número de casos" de infeção
"durante um tempo".No entanto, "se houver
uma taxa de imunidade cá dentro apreciável, há um momento a partir do
qual não há razões em termos de vida e de saúde que justifiquem parar a
economia e a sociedade indefinidamente", argumentou."A
vida tem de continuar, por muito que nós sejamos sensíveis a algumas
vidas e alguns casos de saúde que existam, a vida tem de continuar e vai
continuar nos próximos meses e nos próximos anos, como aconteceu com
outras epidemias, embora não tão duradouras e não tão complexas como
esta pandemia", acrescentou o chefe de Estado.Marcelo
Rebelo de Sousa rejeitou qualquer ligação entre uma mudança da matriz
de risco e o aumento de casos de infeção com o novo coronavírus em
Lisboa: "Não, não se trata de encontrar uma maneira artificial de fugir à
aplicação de critérios. Não, trata-se é de fazer uma ponderação à luz
de dados novos"."E os dados novos são
estes: temos hoje acima dos 80 [anos] praticamente todos vacinados,
acima dos 70 praticamente todos, acima dos 60 praticamente todos, acima
dos 50 um número muito significativo. Vai passar a ser acima de 40 e
acima de 30", apontou, defendendo que se deve "olhar com outros olhos,
porque a realidade é diferente".